Assembleia na FAU

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Uma memória me surgiu de repente. Precisava escrever.

Era maio de 2009. Não lembro o dia.

Campus da Universidade de São Paulo.

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Havia muito barulho e resolvi entrar.

Cerca de 400 estudantes em assembleia.

As pessoas falavam num microfone, mas era muito difícil ouvir.

Gente defendendo um lado e outro.

Recebendo aplausos, vaias.

Propostas, votações.

A maioria delas era sobre o diretor, Prof. Sawaya.

A que me lembro era para decidir se a FAU entraria ou não em greve.

Não houve contraste e os votos foram contados, um a um.

Não entrar em greve ganhou, mas isso não é importante.

O que marcou o dia, pra mim, foi um casal que estava bem a minha frente.

Ao ouvir que deveriam levantar as mãos os que eram a favor da greve, a garota olhou pro seu namorado, visivelmente triste.

E disse umas palavras que eu posso dizer, sem exagero, que mudaram minha vida:

“Eu não vejo a hora de terminar esse curso. Porém, não tenho coragem de votar contra a greve.”

E levantou as duas mãos.

Pra ela a universidade era mais importante do que ela.

A ponto de valer a pena defender a visão em que acreditava mesmo que isso significasse adiar sua formatura.

No IME só ouvi o pensamento inverso, gente preocupada apenas em terminar o seu curso e indiferente aos problemas de sua universidade.

Não há um dia lá em que eu não veja uma prova de que individualismo é a cara de São Paulo.

Porém, há esperança.

Deixe uma resposta