Novo site da Revista Movimento

No dia 11/7 lançamos o site da Revista Movimento, um desenho da Adria Meira que implementei em cima do WordPress. Como pode ser lido na página Sobre, a Revista Movimento é uma publicação teórico-política orientada para o debate de ideias entre os socialistas, a elaboração programática e a ação política. […] Impulsionada pelo Movimento Esquerda Socialista, organização política fundadora do PSOL, a Revista Movimento veicula as posições de nossa organização e pretende organizar espaços para o debate mais amplo com nossos parceiros nas lutas sociais e na elaboração do pensamento crítico produzido dentro e fora da academia.

Na última quinta-feira (20/7) publicamos a tradução do artigo Socialize the Internet, originalmente publicado na Jacobin. Nos EUA, Trump está retrocedendo na regulação da Internet, atacando a neutralidade da rede e favorecendo as grandes empresas de telecomunicações. O artigo propõe saídas criativas para garantir o direito de uma Internet de alta velocidade e baixo custo para todos. Sua tradução e apresentação são minha estreia no site da revista. Recomendo!

Um ransomware comprometeu mais de 45 mil computadores em 74 países, e o número não para de crescer. As redes do NHS (sistema de saúde britânico) e da Telefónica (multinacional espanhola) estão entre as atingidas de forma mais pesada.

O ataque, chamado #WannaCry, é baseado no exploit EternalBlue que apareceu no vazamento de ferramentas da NSA feito pelos Shadow Brokers em abril. Embora a falha tenha sido corrigida pela Microsoft, quem usa Windows e não atualizou seu sistema nas últimas semanas está vulnerável.

Os arquivos dos computadores afetados são criptografados com uma chave desconhecida, tornando impossível acessá-los, e é solicitado um resgate financeiro para que sejam descriptografados.

A reportagem da Folha diz que ao menos 16 hospitais públicos do Reino Unido enfrentaram problemas e que o bloqueio de seus computadores impediu o acesso a prontuários e provocou o redirecionamento de ambulâncias. Diz ainda que, no Brasil, o TJ-SP foi alvo de ataques e a equipe de tecnologia recomendou que seus funcionários desligassem os computadores. Funcionários do Santander e da Vivo também relataram problemas nas redes internas.

Parece enredo de Mr. Robot.

Update: Escrevi mais sobre o ransomware no Juntos: Ciberataque baseado em falha conhecida pela NSA há anos afeta sistemas de todo o mundo

Year Zero

Hoje de manhã o WikiLeaks começou a publicar a maior série de vazamentos da CIA da história, “Vault 7”.

A primeira parte, publicada hoje, se chama “Year Zero” e tem 8761 documentos da divisão hacker da CIA: mais páginas do que todos os vazamentos de Snowden sobre a NSA publicados desde 2013.

Como diz o release para a imprensa:

“Recently, the CIA lost control of the majority of its hacking arsenal including malware, viruses, trojans, weaponized “zero day” exploits, malware remote control systems and associated documentation. This extraordinary collection, which amounts to more than several hundred million lines of code, gives its possessor the entire hacking capacity of the CIA. The archive appears to have been circulated among former U.S. government hackers and contractors in an unauthorized manner, one of whom has provided WikiLeaks with portions of the archive. “Year Zero” introduces the scope and direction of the CIA’s global covert hacking program, its malware arsenal and dozens of “zero day” weaponized exploits against a wide range of U.S. and European company products, include Apple’s iPhone, Google’s Android and Microsoft’s Windows and even Samsung TVs, which are turned into covert microphones.”

[Em engenharia de software, uma vulnerabilidade “zero day” é uma vulnerabilidade desconhecida pelos desenvolvedores de software]

Os documentos vazados têm vários manuais de operação da CIA (organizados num tipo de wiki interno) e explicações de como vários sistemas funcionam, que falhas eles têm e como explorá-las.

A imagem é um quadro com os exploits que eles usam para invadir diferentes versões do iOS (sistema operacional usado pelo iPhone). É um screenshot dessa página.

A consequência do vazamento é, por um lado, uma democratização das ciberarmas da CIA. Por outro, a obsolescência delas e, consequentemente, enfraquecimento da agência. De um lado um extenso arsenal de armas da CIA pode estar sendo usado por outros agentes para invadir nossos computadores e celulares. De outro a CIA perde a vantagem que tinha e a médio prazo essas falhas tendem a ser corrigidas por atualizações dos sistemas.

“Still working through the publication, but what @Wikileaks has here is genuinely a big deal. Looks authentic.”

(Edward Snowden sobre o vazamento)


Update (15h52):

Um dos documentos da CIA vazados pelo WikiLeaks é uma lista de coisas que os desenvolvedores de malware devem fazer e não fazer. Tem dicas como:

  • DO NOT leave dates/times such as compile timestamps, linker timestamps, build times, access times, etc. that correlate to general US core working hours (i.e. 8am-6pm Eastern time)
  • DO NOT use US-centric timestamp formats such as MM-DD-YYYY. YYYYMMDD is generally preferred.

(entre muitas outras)

Se os caras se preocupam com isso, “evidências” podem apontar que um software escrito pela CIA tenha sido feito, sei lá, por russos…


Update (17h43):

A nota da Open Whisper Systems sobre o #Vault7 é otimista e mostra como, contraditoriamente, estamos avançando em segurança digital:

“A reportagem CIA/WikiLeaks de hoje é sobre colocar malware nos telefones; nenhum dos exploits é no Signal ou quebra a criptografia do protocolo do Signal. A reportagem não é sobre Signal ou WhatsApp, mas na medida em que ela é, nós a vemos como a confirmação de que o que estamos fazendo está funcionando. Criptografia de ponta a ponta em toda parte está empurrando as agências de inteligência da vigilância em massa não detectável para ataques caros, de alto risco e direcionados.”

Discussão sobre notícias falsas

As eleições municipais no Brasil foram repletas de boatos contra as candidaturas do PSOL.

Luciana Genro foi atacada o tempo todo por compartilhamentos de notícias falsas que a acusavam de todo tipo de absurdo. Marcelo Freixo chegou até a ter que lançar um site “A Verdade sobre Freixo” devido à enorme quantidade de farsas.

É necessário pensarmos em formas de combater essa boataria.

Por um lado me parece interessante que a mídia americana, chocada com a vitória de Trump contra Clinton, esteja refletindo sobre isso e pressione o Facebook para combater esse tipo de desinformação.

Por outro, é necessário ter as ressalvas de que soluções como subir no ranking os sites da mídia tradicional pode ser nefasto para movimentos e mídia alternativa, e que uma abordagem anti-abuso baseada em feedback na própria plataforma tem que ser bem planejada para não possibilitar coisas como um grande número de robôs da direita censurar um conteúdo legítimo nosso denunciando como fake, por exemplo.

Update (16/11/2016, 19h47): Facebook e Google declaram guerra aos sites de notícias falsas

Publicado originalmente no Facebook.

Luciana Genro é a mais citada pelas redes sociais durante o debate da Rádio Gaúcha

Grafo montado a partir de interações (respostas e retuítes) entre usuários no Twitter durante o debate da Rádio Gaúcha.
Grafo montado a partir de interações (respostas e retuítes) entre usuários no Twitter durante o debate da Rádio Gaúcha.

Luciana Genro venceu o primeiro debate no rádio e nas redes. Foi a candidata mais eloquente, mostrou algumas propostas concretas como a ampliação da Guarda Municipal, corte de 70% dos CCs, falou sobre um novo modelo de gestão na Carris. Mostrou que está segura e preparada para governar Porto Alegre.

No Twitter, foram publicados 2.871 tuítes com a hashtag #DebateNaGaúcha e 2.052 com a hashtag #LucianaPrefeita. Chegamos aos trending topics de Porto Alegre e do Brasil! Os dados publicados no site expressam a vitória da nossa mobilização. É a vez da mudança: Vamos com tudo para eleger Luciana prefeita!

Publicado originalmente no Facebook.

A decisão da juíza que bloqueou o acesso de todo país ao WhatsApp é uma ameaça à nossa segurança.

Segundo o G1, ela pede que o Facebook implemente um backdoor para que mensagens sejam passadas para a justiça em tempo real ou que use algoritmos mais fracos que possam ser quebrados.

Argumenta que “se as decisões judiciais não podem ser efetivamente cumpridas, o serviço não poderá ser mais prestado, sob pena de privilegiar inúmeros indivíduos que se utilizam impunemente do aplicativo WhatsApp para prática de crimes diversos.”

Esse discurso é raso e desconsidera fundamentos de segurança digital e criptografia. Uma das melhores respostas a ele foi dada por Tim Cook quando o FBI pediu que a Apple hackeasse o iPhone de um suspeito no atentado de San Bernardino.

Abrir brechas de segurança num aplicativo usado por mais de 1 bilhão de pessoas coloca a segurança de todos nós em risco. Já os criminosos podem simplesmente usar outras ferramentas não tão populares para garantir a privacidade deles.

(E espero que esteja fora de questão proibir pessoas de rodarem os programas que quiserem para se comunicar)

Publicado originalmente no Facebook.

Hoje completa 62 anos a morte de Alan Turing, personagem fundamental da história da computação e um dos maiores gênios do século XX.

Turing formalizou os conceitos de “algoritmo” e “computação” ao criar a máquina universal abstrata que serve de modelo para nossos computadores digitais.

Além disso, inaugurou a inteligência artificial através de um famoso artigo, “As máquinas podem pensar?”, que propõe um teste que tentamos vencer até hoje.

Não bastasse as contribuições mais teóricas, historiadores estimam que a Segunda Guerra Mundial foi encurtada em dois anos devido aos aliados conseguirem decodificar mensagens criptografadas pela Enigma, operação na qual Turing teve papel determinante.

Porém, apesar da vitória contra os nazistas, da criação do computador e da inteligência artificial, Turing foi submetido à castração química porque a sociedade não aceitava sua orientação sexual. Se envenenou aos 42.

As lutas da população LGBT são necessárias. Todo apoio!

Publicado originalmente no Facebook.

A grande imprensa começou a circular que o Marco Civil da Internet é o responsável pelo bloqueio do WhatsApp e que a CPI dos Crimes Cibernéticos quer impedir juízes de bloquear o WhatsApp.

Essa narrativa mentirosa, a um dia da votação do relatório da #CPICiber, sugere um propósito preocupante para esse bloqueio arbitrário do mensageiro mais usado no nosso país: aprovar uma legislação retrógrada para a Internet no Brasil. Sobre o relatório, recomendo:

Publicado originalmente no Facebook.