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A criação musical do mundo

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Os movimentos celestes nada mais são que uma canção contínua para várias vozes, percebida pelo intelecto e não pelo ouvido; uma música que, por meio de tensões discordantes, síncopes e cadências (…), progride na direção de certas resoluções determinadas, estabelecendo assim certas marcas no fluxo imensurável do tempo. Não é de causar surpresa, portanto, que o homem, imitando seu Criador, tenha, finalmente, descoberto a arte da notação musical, desconhecida dos antigos. O homem desejava reproduzir a continuidade do tempo cósimco dentro de uma breve hora, por meio de uma engenhosa harmonia de várias vozes, a fim de saborear uma amostra do prazer que o Criador Divino tem em Sua obras, e participar de sua alegria fazendo música na imitação de Deus.

(trecho de uma carta de Kepler citada por Arthur Koestler)

Os movimentos celestes como música, a música como imitação de Deus, a música como divina… Este era um pensamento bastante comum na Idade Média que foi deixado de lado com o tempo. Hoje acho que ninguém pensa nisso quando dança funk nas festas por aí.

Figura da música

Tolkien é um escritor que valorizo bastante. Não sou daqueles fãs incondicionais de Senhor dos Anéis, mas acho linda a maneira que ele tem para escrever. Vou colar aqui um trecho um pouco grande do início do livro “O Silmarillion”. Você não precisa ler até o final se não quiser, mas vale a pena ler como Tolkien falava da divindade de seu mundo e de como o mundo foi criado a partir da música.

Havia Eru, o Único, que em Arda é chamado de Ilúvatar. Ele criou primeiro os Ainur, os Sagrados, gerados por seu pensamento, e eles lhe faziam companhia antes que tudo o mais fosse criado. E ele lhes falou, propondo-lhes temas musicais; e eles cantaram em sua presença, e ele se alegrou. Entretanto, durante muito tempo, eles cantaram cada um sozinho ou apenas alguns juntos, enquanto os outros escutavam; pois cada um compreendia apenas aquela parte da mente de Ilúvatar da qual havia brotado e evoluía devagar na compreensão de seus irmãos. Não obstante, de tanto escutar, chegaram a uma compreensão mais profunda, tornando-se mais consonantes e harmoniosos.

E aconteceu de Ilúvatar reunir todos os Ainur e lhes indicar um tema poderoso, desdobrando diante de seus olhos imagens ainda mais grandiosas e esplêndidas do que havia revelado até então; e a glória de seu início e o esplendor de seu final tanto abismaram os Ainur, que eles se curvaram diante de Ilúvatar e emudeceram.

Disse-lhes então Ilúvatar: – A partir do tema que lhes indiquei, desejo agora que criem juntos, em harmonia, uma Música Magnífica. E, como eu os inspirei com a Chama Imperecível, vocês vão demonstrar seus poderes ornamentando esse tema, cada um com seus próprios pensamentos e recursos, se assim o desejar. Eu porém me sentarei para escutar; e me alegrarei, pois, através de vocês, uma grande beleza terá sido despertada em forma de melodia.

E então as vozes dos Ainur, semelhantes a harpas e alaúdes, a flautas e trombetas, a violas e órgãos, e a inúmeros coros cantando com palavras, começaram a dar forma ao tema de Ilúvatar, criando uma sinfonia magnífica; e surgiu um som de melodias em eterna mutação, entretecidas em harmonia, as quais, superando a audição, alcançaram as profundezas e as alturas; e as moradas de Ilúvatar encheram-se até transbordar; e a música e o eco da música saíram para o Vazio, e este não estava mais vazio. Nunca, desde então, os Ainur fizeram uma música como aquela, embora tenha sido dito que outra ainda mais majestosa será criada diante de Ilúvatar pelos coros dos Ainur e dos Filhos de Ilúvatar, após o final dos tempos. Então, os temas de Ilúvatar serão desenvolvidos com perfeição e irão adquirir Existência no momento em que ganharem voz, pois todos compreenderão plenamente o intento de Ilúvatar para cada um, e cada um terá a compreensão do outro; e Ilúvatar, sentindo-se satisfeito, concederá a seus pensamentos o fogo secreto.

Agora, porém, Ilúvatar escutava, sentado, e por muito tempo aquilo lhe pareceu bom, pois na música não havia falha. Enquanto o tema se desenvolvia, no entanto, surgiu no coração de Melkor o impulso de entremear motivos da sua própria imaginação que não estavam em harmonia com o tema de Ilúvatar; com isso procurava aumentar o poder e a glória do papel a ele designado. A Melkor, entre os Ainur, haviam sido concedidos os maiores dons de poder e conhecimento, e ele ainda tinha um quinhão de todos os dons de seus irmãos. Muitas vezes, Melkor penetrara sozinho nos espaços vazios em busca da Chama Imperecível, pois ardia nele o desejo de dar Existência a coisas por si mesmo; e a seus olhos Ilúvatar não dava atenção ao Vazio, ao passo que Melkor se impacientava com o vazio. E no entanto ele não encontrou o Fogo, pois este está com Ilúvatar. Estando sozinho, porém, começara a conceber pensamentos próprios, diferentes daqueles de seus irmãos.

Alguns desses pensamentos ele agora entrelaçava em sua música, e logo a dissonância surgiu ao seu redor. Muitos dos que cantavam próximo perderam o ânimo, seu pensamento foi perturbado e sua música hesitou; mas alguns começaram a afinar sua música à de Melkor, em vez de manter a fidelidade ao pensamento que haviam tido no início. Espalhou-se então cada vez mais a dissonância de Melkor, e as melodias que haviam sido ouvidas antes soçobraram num mar de sons turbulentos. Ilúvatar, entretanto, escutava sentado até lhe parecer que em volta de seu trono bramia uma tempestade violenta, como a de águas escuras que guerreiam entre si numa fúria incessante que não queria ser aplacada.

Ergueu-se então Ilúvatar, e os Ainur perceberam que ele sorria. E ele levantou a mão esquerda, e um novo tema surgiu em meio à tormenta, semelhante ao tema anterior e ao mesmo tempo diferente; e ganhava força e apresentava uma nova beleza. Mas a dissonância de Melkor cresceu em tumulto e o enfrentou. Mais uma vez houve uma guerra sonora, mais violenta do que antes, até que muitos dos Ainur ficaram consternados e não cantaram mais, e Melkor pôde dominar. Ergueu-se então novamente Ilúvatar, e os Ainur perceberam que sua expressão era severa. Ele levantou a mão direita, e vejam! Um terceiro tema cresceu em meio à confusão, diferente dos outros. Pois, de início parecia terno e doce, um singelo murmúrio de sons suaves em melodias delicadas; mas ele não podia ser subjugado e acumulava poder e profundidade. E afinal pareceu haver duas músicas evoluindo ao mesmo tempo diante do trono de Ilúvatar, e elas eram totalmente díspares. Uma era profunda, vasta e bela, mas lenta e mesclada a uma tristeza incomensurável, na qual sua beleza tivera principalmente origem. A outra havia agora alcançado uma unidade própria; mas era alta, fútil e infindavelmente repetitiva; tinha pouca harmonia, antes um som uníssono e clamoroso como o de muitas trombetas soando apenas algumas notas. E procurava abafar a outra música pela violência de sua voz, mas suas notas mais triunfais pareciam ser adotadas pela outra e entremeadas em seu próprio arranjo solene.

No meio dessa contenda, na qual as mansões de Ilúvatar sacudiram, e um tremor se espalhou, atingindo os silêncios até então impassíveis, Ilúvatar ergueu-se mais uma vez, e sua expressão era terrível de ver. Ele então levantou as duas mãos, e num acorde, mais profundo que o Abismo, mais alto que o Firmamento, penetrante como a luz do olho de Ilúvatar, a Música cessou.

Então, falou Ilúvatar e disse: – Poderosos são os Ainur, e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e saibam todos os Ainur, que eu sou Ilúvatar, essas melodias que vocês entoaram, irei mostrá-las para que vejam o que fizeram. E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado sem ter em mim sua fonte mais remota, nem ninguém pode alterar a música contra a minha vontade. E aquele que tentar, provará não ser senão meu instrumento na invenção de coisas ainda mais fantásticas, que ele próprio nunca imaginou.

E então os Ainur sentiram medo e ainda não compreenderam as palavras que lhes eram dirigidas; e Melkor foi dominado pela vergonha, da qual brotou uma raiva secreta. Ilúvatar, porém, ergueu-se em esplendor e afastou-se das belas regiões que havia criado para os Ainur; e os Ainur o seguiram.

Entretanto, quando eles entraram no Vazio, Ilúvatar lhes disse: – Contemplem sua Música! – E lhes mostrou uma visão, dando-lhes uma imagem onde antes havia somente o som. E eles viram um novo Mundo tornar-se visível aos seus olhos; e ele formava um globo no meio do Vazio, e se mantinha ali, mas não pertencia ao Vazio. E, enquanto contemplavam perplexos, esse Mundo começou a desenrolar sua história, e a eles parecia que o Mundo tinha vida e crescia. E, depois que os Ainur haviam olhado por algum tempo, calados, Ilúvatar voltou a dizer: – Contemplem sua Música! Este é seu repertório. Cada um de vocês encontrará aí, em meio à imagem que lhes apresento, tudo aquilo que pode parecer que ele próprio inventou ou acrescentou.

(início de “O Silmarillion”, história da criação do mundo das obras de Tolkien)

Depois de Kepler surgiu Galileu e com ele todas essas idéias medievais foram embora, foram reduzidas à matemática. Criou-se a física e a química. A ciência distanciou-se da fé, tornando-se um ramo teoricamente mais exato. O mundo não foi mais tão musical, o que não significa que ele tenha melhorado, nem piorado. Apenas perdeu a fé na música.

Hoje em dia a religião ocidental é a cientologia, por mais que mais de 90% desta gente se diga cristã. Não existe mais uma fé incondicional, mas uma crença com sentido. Uma crença exata em algo invisível, porque é teórico. Ou então, como o Ibrahim defende e eu concordo, o pop é a nova religião.

Mas afinal, como já perguntei, será que ciência e religião são tão diferentes? Não são simplesmente duas crenças diferentes? Na minha opinião, acreditar é correr perigo de estar errado. Não há como dizer se o mundo é fruto de uma grande explosão, se foi uma música que o criou, ou se ele é somente fruto da minha imaginação. O que você acha?

Além do bem e do mal

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.
Além do bem e do mal

Mais uma sugestão de leitura do Mal Vicioso! O livro da vez é: Além do bem e do mal

Escrito por Nietzsche e publicado por várias editoras aqui no Brasil, “Além do bem e do mal” é um livro que não pode faltar na cabeceira de um filósofo. A obra desde seu primeiro capítulo critica filosofias metafísicas, religiões, moralismos e verdades. Faz-nos refletir sobre os nossos valores, ética e sobre a natureza do homem.

Nota: O estilo aforismático de autor traz tantas frases de tamanho efeito que resolvi me privar de colocar alguma aqui para não desprezar as outras.

O prelúdio a uma filosofia do futuro é um livro pesado, que deve ser digerido com muita atenção. Ainda estou no terceiro capítulo (A natureza religiosa), mas não posso deixar de recomendar esta obra excepcional de Nietzsche, que talvez hoje não fosse tão incompreendido (ou talvez o mundo não tenha mudado tanto assim nos últimos cem anos…).

Fazer teatro de obras de ficção é errado?

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Religion is the root cause of all terrorism

Os manifestantes acreditam que o museu trata a religião de uma forma extremista. Eles reclamam ainda que o local nega a ciência, pois classifica as histórias da Bíblia como uma verdade absoluta.

O Museu da Criação foi desenvolvido por um diretor de um estúdio de cinema americano e traz cenários realistas, bonecos animados de pessoas e dinossauros em tamanho real e muitos efeitos especiais. Os visitantes podem ver uma réplica do que seria a Arca de Noé e até animais que habitariam o mundo quando Adão e Eva foram expulsos do Jardim do Éden, histórias clássicas da Bíblia.

De acordo com a direção, o Museu da Criação é um programa para toda a família e foi planejado com o objetivo de fazer mais pessoas acreditarem que Jesus Cristo existiu e deve ser considerado o criador da vida.

Notícia completa no Terra.

Eu gostaria de saber se por acaso eu sou o único anti-religioso que acho os manifestantes idiotas ou se vocês concordam comigo. Afinal, há algum problema de criar representações de um livro? Isso me lembra aqueles indivíduos que criticam O Código da Vinci por ser uma história inventada. Em algum ponto na história do mundo foi errado criar obras de ficção? Adorarei ler o seu comentário.

Em que Deus você acredita?

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Uma pesquisa do Datafolha publicada hoje na Folha de São Paulo mostra que 97% dos brasileiros acreditam em Deus, 2% são agnósticos e 1% são ateus. Às vésperas da chegada do Papa Bento XVI no Brasil, 64% dos brasileiros se dizem católicos, 10% menos do que numa pesquisa realizada em 1996. 22% são evangélicos, 6% não possuem religião, 3% são espíritas e os outros 5% pertencem a outras religiões.

Acreditar em Deus… A minha professora de história me escreveu há algum tempo uma reflexão muito interessante:

Pessoalmente tenho dificuldades em definir “no que” acredito porque minhas concepções de divindade não condizem com algo que tenha uma forma definida… Não acredito no sagrado como uma coisa, mas convivo diariamente com coisas que, creio eu, são manifestações do sagrado… algo meio panteísta, entende? Não creio em um deus antropomórfico e centralista…creio que sou responsavel por meus atos e não abdico de nada por medo de um juízo final… Tenho dificuldade, no entanto, em definir com exatidão o que seria esse deus-tudo.

Falar em deus é totalmente subjetivo. Deus pode representar bons sentimentos, bons pensamentos, pode representar a humanidade… Creio que o problema da definição são as religiões que transformam Deus num “cara”, no Godot. Na minha humilde opinião, é ridículo temer um ser superior e fingir seguir leis que não são seguidas por ninguém.

Se o nosso país fosse mesmo cristão e católico não precisaríamos de governantes. A religião deveria governar todas as pessoas, porque ela já possui leis suficientes para isto. Vejam os 10 mandamentos, os sete pecados capitais… Para que haver julgamentos na Terra se todos têm certeza do Juízo Final?

Na época do Império Romano, o César era visto como um ser divino. Quando surgiu um cara dizendo ser Deus (aquele tal Jesus), César perseguiu todos os cristãos. Ele, com razão, não queria que adorassem o outro rei e as outras leis. Em 300 um fato que chama a atenção é a quantidade de vezes que os persas chamam Xerxes de divino.

A religião é o ópio do povo. Faz bem ter uma religião, participar de uma comunidade, então as pessoas acabam começando a acreditar em tudo o que é falado para elas… Como disse a Carol, igrejas são locais de paz. Como já disse Leonardo Boff, o problema da Igreja Católica é o alto escalão, mas os padres são pessoas boas que acreditam no que fazem, assim como os reais seguidores (que são menos que metade dos 64%).

Enfim, no que devemos acreditar? Bom… Justamente por religião ser uma crença não há nenhuma certeza. Creio que a religião dominante do nosso país e do mundo inteiro hoje é o cientificismo. Como já disse e repetiu o reverendo várias vezes: se acredita em Deus, não vá ao hospital. Fique em casa orando. Eu gosto da ciência, mas não acho que seja algo exato e acho que existem coisas além da ciência ou pelo menos muito longe de serem descobertas por ela. Então, na minha ingenuidade, prefiro acreditar nas pessoas sem adorar nenhum “deus a nossa imagem e semelhança” e nem um monte de caras loucos de roupa branca e óculos fundo-de-garrafa.

Criando um meme

O Mal Vicioso, melhor blog do Brasil, pela primeira vez resolveu criar um meme. E convida para responder a pergunta “Em que Deus você acredita?” os seguintes amigos blogueiros:

Descriminalização do aborto

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Aborto

Lendo o FYI, tive vontade de escrever sobre o tema. Lembro que fiz uma dissertação sobre o aborto pra professora de biologia no ano passado. Na época, após pesquisar melhor sobre o assunto, cheguei a conclusão que o aborto deveria ser legalizado, mas não deveria ser realizado.

O aborto voluntário é legalizado na maioria dos países desenvolvidos. No entanto, muitos países continuam a possuir leis que proíbem a interrupção da gravidez. É o caso do Brasil, onde o aborto só é permitido em casos de risco de morte para a gestante ou em casos de estupro.

O aborto realizado de forma ilegal é muito perigoso para a gestante. Ele é feito em clínicas clandestinas e pela própria mulher, usando materiais inadequados e sem higiene. Esses métodos põe em risco a vida e a saúde da gestante. Descriminalizar o aborto não é incentivar a sua prática, mas permitir que todas as mulheres que tomem essa difícil decisão possam realizá-lo com condições de higiene e segurança.

A interrupção da gravidez é um tema polêmico porque envolve aspectos éticos, sociais e religiosos. Não vejo o aborto como um assassinato, mas pouco importa o que eu acho, já que a decisão é da mulher. Por isso, creio que ele não deve ser ilegal. Acredito que a mãe deva ter o direito de não botar no mundo um filho que ela não deseja e que pode ter uma vida pior do que simplesmente não nascer.

Ainda mais que, se a mãe quiser abortar mesmo um filho, não é a lei que vai impedí-la.

E vocês, o que acham?

Lavagem cerebral

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Ontem fui à missa da Igreja Católica. Deixo a reflexão e a explicação do título por conta de vocês.

Primeira leitura – Confie ou vá ao inferno

Se resume em: Maldito quem confia no homem; bendito quem confia no Senhor

Homem pecador vai pro inferno, quem está com Deus vai pro céu. É impossível viver sem Deus. Quem vive sem Deus vive sem amor no coração, é uma pessoa má, triste e emo.

Jeremias 17, 5-8

5 Eis o que diz o Senhor: “Maldito quem confia no homem e põe na carne toda a sua esperança, afastando o seu coração do Senhor. 6 Será como o cardo na estepe que nem percebe quando chega a felicidade: habitará na aridez do deserto, terra salobre, onde ninguém habita. 7 Bendito quem confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança. 8 É como a árvore plantada à beira da água, que estende as suas raízes para a corrente: nada tem a temer quando vem o calor e a sua folhagem mantém-se sempre verde; em ano de estiagem não se inquieta e não deixa de produzir os seus frutos”.

Segunda leitura – Lógica corintiana

São Paulo mandou uma carta ao Corinthians que, ao invés de prever o resultado do jogo que vai acontecer hoje às 16h (e São Paulo vai ganhar), criava uma lógica totalmente nonsense que não entendo como o clero ainda permite que ela fosse lida ainda hoje:

Coríntios 15, 12.16-20

Irmãos: 12 Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de vós que não há ressurreição dos mortos? 16 Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17 E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados; 18 e assim, os que morreram em Cristo pereceram também. 19 Se é só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os mais miseráveis de todos os homens. 20 Mas não. Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.

Eu achei que eles dissessem que Cristo era um deus superior, não um mortal normal que ressucita assim como todos os outros.

Evangelho – socialista, mas com um comentário capitalista depois

São Lucas 6, 17.20-26

Naquele tempo, 17 Jesus desceu do monte, na companhia dos Apóstolos, e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidónia. 20 Erguendo então os olhos para os discípulos, disse: 21 Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. 22 Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e prescreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. 23 Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. 24 Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação. 25 Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome. Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar. 26 Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem. Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas.

Jesus Cristo era um cara muito gente boa. Pena que tanta gente o confunde com Deus. Por que ele não pode ser simplesmente um filósofo admirado pelas pessoas?

Mas como eu ia dizendo no título, o evangelho é socialista, mas o comentário do padre foi totalmente capitalista. Ele disse assim: Jesus não se refere aos ricos como aqueles que trabalham duro pra conseguir o seu dinheiro, mas aqueles que roubam, que conseguem seu dinheiro maltratando o outro, etc Ou seja, foda-se o resto se você conseguiu o seu dinheiro trabalhando. O padre já entrou na nossa lógica, trabalho é dinheiro, quem trabalha ganha. Não é uma lógica errada, mas ele indiretamente diz que quem é rico mas conseguiu esse dinheiro “justamente” não precisa ajudar os pobres. Não acho que foi isso que Jesus quis dizer.

Conclusão

Além dos textos, tocaram várias músicas do tipo “Eu confio em Deus, temos que confiar em Deus”. A missa é claramente um local de lavagem cerebral. Mas é engraçado que parece que o padre e toda aquela gente que organiza a Igreja aqui confia cegamente no que está dizendo, então eles também são vítimas. Não sei quem organiza essa “filosofia for dummies”. Será o Vaticano podre-de-rico? É bem provável…

Isso não é uma crítica a quem acredita. Vocês acreditam sem nem conseguir não acreditar, porque já estão acostumados com isso desde que nasceram. Eu tenho pena de vocês, mas nada contra – é sério. E alguns de vocês até tentam levar a sério a mensagem, que é algo legal – fora a lavagem cerebral. Pena que essa mensagem não é levada a sério pelos poderosos que “acreditam em Deus” mas não estão nem aí pra “palavra de Deus” e pros ideais socialistas de Jesus Cristo.

Ideal seria todo mundo ir à Igreja para discutir a sociedade e poderia até ser regido a esses evangelhos de histórias de Jesus Cristo, mas também de outros filósofos – e sem essa estupidez de “O senhor é meu pastor e nada me faltará.”

E, por favor, sem comentários como a lógica de Pascal e esse da Patrícia. Agora falando sério… Como já disse nosso querido amigo Nietzsche:

“Não há amor e bondade suficientes no mundo, para que ainda se possa oferecê-los a seres imaginários”

A Viagem de Théo

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

A partir de hoje publicaremos sugestões de livros com temática parecida com a do nosso site, junto com os habituais artigos do Mal Vicioso. Queremos compartilhar com você algumas das fontes de nossas idéias e também queremos que você compartilhe conosco livros que você leu e gostou.

O primeiro que vamos sugerir é A Viagem de Théo.

  • Autora: Catherine Clément (francesa)
  • Editora (no Brasil): Cia. das Letras
  • Páginas: 614
  • Sinopse: Por que tantas pessoas se aproximam de uma religião ou sentem vontade de ter uma vivência espiritual qualquer? Por que não somos todos ateus? Foram perguntas assim que levaram Catherine Clément a escrever A viagem de Théo, um romance sobre os fundamentos das religiões mais praticadas no mundo: catolicismo, judaísmo, budismo, protestantismo, islamismo, etc. Com um conhecimento profundo do tema e um admirável equilíbio intelectual, ela nos faz viajar na companhia de Théo e Marthe – ele, um adolescente que vive enfiado nos livros e sofre de uma doença grave; ela, uma mulher cosmopolita que esbanja vitalidade. Juntos eles vão aos principais centros sagrados do mundo e, enquanto visitam os templos e participam das festas rituais, oferecem-nos a certeza de que as religiões são uma das maiores aventuras que a humanidade já pôde sonhar.
A Viagem de Théo
Capa do livro

Gosto de livros que induzem a filosofar de uma maneira simples, por meio de uma história, tais quais O Mundo de Sofia, Bíblia, Al Corão, Tudo depende de como você vê as coisas, Efeito Borboleta (filme) e Alice no País das Maravilhas.

A Viagem de Théo é um ótimo romance que desmistifica o mundo das religiões e entrete o leitor nos mistérios que envolvem o próximo destino do protagonista. Em alguns momentos, o enredo cansa de tão óbvio (a autora faz questão de dizer que sit down significa sente-se).

Algo notório é o fato de que o universo religioso apresentado a Theo não é constituído apenas por cristãos, judeus e islâmicos. Aqui onde vivemos não se fala de religiões asiáticas como o budismo e o hinduísmo. No máximo seus deuses são retratados em cangas de praia ou camisetas, mas nada sabemos sobre eles. Esses credos e muitos mais são muito bem abordados no livro, de forma clara até a um leitor leigo. Enquanto viaja, a autora descreve os fiéis, a fé, os locais onde seus ritos são praticados e o principal: em que acreditam

Ainda não terminei a leitura, (eu e a Carol estamos na página 234), mas vale a pena tanto pelo romance como pela didática! ;-)

A primeira pessoa do texto é o Tiago, mas foi a Carol que editou as palavras pro texto ficar legível…

Cinco coisas que me irritam

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Parece que tags estão na moda… O j. noronha me convidou pra escrever cinco coisas que me irritam. O que mais me irrita no momento é essa tela gorda e a dificuldade para configurá-la, mas tem muita coisa no mundo que me irrita. Mas abaixo vão as cinco que eu pensei agora e que considero as coisas que mais me irritam… :-)

#1 – Religiosos fanáticos

Odeio religiosos fanáticos. Eles vivem dizendo que eu vou pro inferno e que eu sou pecador, herege, e não sei mais o quê. Se eu disser que eu já sei que eu vou pro inferno, vocês podem deixar eu viver feliz até lá pra pelo menos aproveitar meus dias de “felicidade” aqui na Terra?

#2 – Brasil Telecom

Como o j. noronha, eu odeio a Brasil Telecom. Aqui em Itajaí-SC é necessário conviver com ela pra telefone, ADSL… Vive dando problemas e o 0800 (na verdade, 10314) é impossível!

Também odeio telemarketing, em geral.

#3 – Coisas sem sentido

Eu odeio coisas que as pessoas fazem só por causa do que a sociedade ensina, coisas que eu mesmo faço sem motivo e que, se eu vivesse em outra sociedade, eu não faria; coisas que aprendemos desde pequenos e que fazemos sem pensar.

Preocupações inúteis, sexismo, ter que comer coisas que todos os outros comem, ter que ser educado à mesa, ter que se vestir de acordo com um padrão; esse tipo de coisa me revolta…

A sociedade tem um ciclo definido: nascimento, escola, trabalho, aposentadoria, morte. Viver só pelo dinheiro e depois morrer… Não vejo sentido nos nossos costumes!

#4 – Trabalho manual / fordismo

Se uma máquina faz o seu trabalho melhor do que você, você é dispensável e eu não tenho pena de você quando você é demitido. Odeio profissões “manuais”, pra mim trabalho tem que ser algo criativo.

#5 – Televisão

Sei lá se a televisão a cabo é melhor. A que eu tenho aqui em casa é ridícula. Eu devo assistir uns dois minutos de televisão por dia que é dos momentos em que eu passo do quarto pra cozinha (a sala fica no meio), coisas como Big Brother Brasil, turma do Didi, Comando Maluco do Dedé, novela da 7, Rede TV e outras coisas do tipo são nojentas.

Passo a tag para…

Almas à venda

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RAFAEL VC É UM IDIOTA AO QUADRADO MANIPULADO PELO CAPETA.A JUSTIÇA DOS HOMENS É FALHA A DEUS NUNCA FALHA E VC GUSTAVO NÃO PASSA DE UM IDIOTA QUE PELO JEITO VIVE GASTANDO O SEU DINHEIRO COM COISAS QUE NÃO ACRESCENTAM NADA NA SUA VIDA.
SOU RENASCER ATÉ MORRER !!! ESPADA PELO SENHOR PELO APÓSTOLO PELA BISPA E PELA RENASCER!!!
AMO ESSE MINISTÉRIO E ENTREGO AMINHA OFERTA SEMPRE QUE POSSO NA IGREJA , INDEPENDENTE DO QUE OS ENVIADOS DE SATANÁS COMO FALAM DA RENASCER.
SOU RENASCER ATÉ MORRER !!!

(comentários de um homem de Deus no Novo Mundo)

Fé e religião

Ao ler estes discursos do “Irmão Henrique”, me perguntei: a partir de quando a religião deixa de ser uma coisa que motiva a viver para tornar-se apenas alienação? Eu não acredito na religião da mesma forma que não acredito na política – pra mim as duas são farinha do mesmo saco. Tenho um ódio especial por essas novas religiões que surgem todos os dias apenas para atrair fiéis e roubar seu dinheiro.

Na minha cidade, um desses homens de Deus é comprovadamente comprador de votos; o criador dessa tal “Renascer” foi preso junto com a sua esposa. Qual o sentido de toda essa lavagem cerebral e como os homens são tão fracos para serem levados por ela?

Aqui em Santa Catarina, tem se popularizado uma igreja hilária chamada Bola de Neve. As reuniões dos “fiéis” (surfistas) acontece em casinhas com pranchas de surf e uma decoração que parece de surfshop. A Wikipedia diz que: Muitas pessoas que freqüentam dizem que assistir o culto é como assistir a um show. Há a inclusão no louvor de vários ritmos musicais, tais como reggae, entre outros.

Pergunto-me: as pessoas vão lá pra rezar ou pra fazer festa?

Não que a idéia de uma religião divertida seja ruim. Eu sou fã do discordianismo! Mas se for pra acreditar numa religião que é uma piada, então pelo menos leve ela na brincadeira!

Estou sem um link de um vídeo de um pastor muito bom que queria colocar aqui. Foi a Carol que me mostrou, quando ela voltar de viagem ela edita esse post pra colocar.

Essas novas igrejas de fanáticos têm atraído ex-usuários de drogas, que em busca de uma vida nova conseguem deixar de usar drogas “por Deus”. É absurdo e irônico. É a troca de um vício por outro. E depois que as pessoas que passaram a vida usando drogas vêm falar com você dando sermões de que você vai pro inferno? Ah, me dêem licença!

No ano retrasado, eu estudava com um protestante que vivia discutindo comigo. Eu é que puxava as discussões, mas é porque queria entender a mentalidade dele. Ele me disse que eu vou pro inferno, porque eu não acredito em Deus. Se eu acreditasse, eu poderia matar quem eu quisesse, cometer o pecado que quisesse, mas iria pro céu. Ele me disse: “Se Deus não existir, e daí? Mas se Deus existir, eu tenho um lugar no céu e você não. Por isso, você devia pensar bem nessa sua decisão.”

Será que todo religioso é assim? Notem que interessante: o cara não acredita em Deus, mas ele morre de medo de não ter um lugar no paraíso (eu acho esse lance de vida eterna muito monótono…) e por isso vive dando sermões e falando de Deus!

Ah!!! E isso tudo sem falar do pastor louco que disse que os blogs são pagãos!

Sei lá… Não vejo nenhum sentido em tudo isso. Hipocrisia de uma sociedade inteira! Faço questão de linkar de novo o primeiro post da Cabala. Pra mim, esse lance de religião trata-se de pessoas inteligentes se aproveitando de pessoas fracas pra ganhar dinheiro. A maioria de quem se diz religioso é laico. E o resto eu respeito, mas não vejo sentido.

Dá pra fazer uma série sobre religião, falando sobre a grana da Igreja Católica, a Inquisição, o preconceito dentro da religião, o conservadorismo que vai contra a própria fé deles, aqueles fanáticos que criticam uma ficção por ela ser muito bem escrita e eles acabarem ficando em dúvida da sua crença, a briga das religiões em Jerusalém, as religiões orientais… Religião só trouxe problema para o mundo ao invés de solução. Aliás, o reverendo já tá fazendo algo assim lá na Cabala.

Eu posso me contradizer se você me der um bom motivo pra acreditar em outra coisa, mas pra mim essas religiões tratam-se de filosofia for dummies. Relaxem religiosos, curtam a vida e sejam felizes!

Pra finalizar, vai de bônus uma animação sobre a história das religiões que vi lá no Sedentário e Hiperativo:

Cinco evidências de que o Tiago é louco

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Depois do John Chow, do Darren Rowse e do Chris Garrett, eu também vou escrever five things you may not know about me.

  1. Eu nasci há 10000 anos atrás, mas não sou o Raul Seixas. Todo mundo acha que eu sou muito novo pra escrever esse blog…
  2. Ah… Eu sou viciado em números binários. Eu procuro resolver todos os cálculos do dia-a-dia em binário na minha mente, sei lá por quê… Ainda sobre números, eu acredito na maioria das palavras de Pitágoras, entre elas que todas as coisas são números. Como em todo programa comum, nossas variáveis são guardadas em binário. Eu acho que se Deus existe (não Godot, mas alguma força que nos criou), “ele” foi um programador, que não soube programar direito. Eu tenho vontade de reprogramar o mundo.
  3. Eu não acredito na religião e nem na ciência. O meu entendimento do mundo baseia-se em teorias malucas conspiratórias que vem e vão da minha mente. Sou agnóstico e creio que não sei de nada, duvidando que um dia possa saber.
  4. Eu às vezes consigo imaginar eu não existindo. Me fica um vazio por alguns milésimos e depois vem uma dor de cabeça. Eu não sei se eu existo. E eu não sei se tudo isso não é uma conspiração contra mim. Eu sou o centro do [meu] mundo, sou incrivelmente egocêntrico (é óbvio, senão eu não estaria escrevendo tudo isso sobre mim aqui pra todo mundo). Eu vivo pensando besteiras.
  5. Eu não vou escrever um quinto item, porque eu estaria colaborando para o discordianismo e quatro sim é um número exato.

Isso era um dos 21 rascunhos… Enquanto eles estavam aqui na fila, dois (ou mais?) blogueiros brasileiros publicaram uma lista dessas mais rápido que eu. Leia também a lista deles: Rafael e Janio.