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Como recuperar a inicialização do Linux depois de instalar Windows

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 9 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Esse é um problema super comum que já resolvi para dezenas de pessoas e resolvi escrever aqui pra não ficar tendo que repetir a resolução toda vez que alguém me perguntar.

O caso é o seguinte: você tem Linux numa das suas partições e por algum motivo estranho instala Windows (ou reinstala) na outra. O Windows, como todo sistema operacional para idiotas, simplesmente limpa sua MBR (master boot record do HD) sem lhe perguntar nada e com isso deleta seu gerenciador de boots (neste post estarei tratando o Grub e o Lilo).

Aí você se vê triste, desiludido e em muitos casos resolve reinstalar o Linux só pra recuperar o boot. Péssimo, não? Mas não se preocupe: seus problemas acabaram.

Tudo o que você precisará para recuperar sua MBR (com Grub ou Lilo) é:

  1. Um livecd (não precisa ser um daqueles pesadões, um disco 1 do Slackware ou Gentoo Minimal resolve) com a mesma arquitetura do seu Linux. Se você não tem, sugiro o Gentoo Minimal porque é leve: o download você faz aqui. Se você não sabe o que é arquitetura, você provavelmente usa x86.
  2. Saber em que partição se encontra seu Linux (tipo: /dev/hda1, /dev/sda1, ou algo do gênero) e em que HD ele se encontra (tipo: /dev/hda, /dev/sda… é só tirar o número da partição)

Se você não sabe em que partição/hd está seu Linux, é fácil descobrir através do comando fdisk -l

Boote o livecd (considerarei que você sabe fazer isso, do contrário não teria conseguido instalar o Windows) e abra um terminal se seu livecd for gráfico (é aquela telinha preta, também pode ser chamado de Console).

Agora o que vamos fazer é montar a partição root do seu Linux (e considerarei que /boot não está numa partição separada, se estiver monte ela também), entrar nela e reinstalar o Grub ou o Lilo.

Se o seu terminal terminar com um caractere $ (cifrão), digite “sudo su” para virar root. Agora pode digitar o que segue:

# mkdir linux
# mount /dev/hda1 linux
# mount -o bind /dev linux/dev
# mount -t proc none linux/proc
# chroot linux /bin/bash
# source /etc/profile
# cat /proc/mounts > /etc/mtab

Não se esqueça de substituir /dev/hda1 pela partição do seu Linux.

Agora, se você usa Grub (se não, provavelmente esse comando não dará problema, então se você estiver na dúvida pode chutar esse):

# grub-install --recheck /dev/hda

(substituindo /dev/hda pelo device do seu hd)

Ou se você usa Lilo:

# lilo

E pronto! Limpando a sujeira…

# exit
# umount linux/proc
# umount linux/dev
# umount linux

E pode rebootar pro seu velho Linux.

Se você não tinha Windows antes, o Windows não vai por mágica aparecer nas suas opções de boot. Então, no seu velho Linux, é só editar o arquivo /boot/grub/menu.lst (pra quem usa Grub) ou /etc/lilo.conf (pra quem usa Lilo) e colocar linhas para bootar o Windows, respectivamente:

title Windows
rootnoverify (hd0,1)
makeactive
chainloader +1

e

other=/dev/hda2
label=Windows

(assumindo que seu Windows está em /dev/hda2)

É importante que você note que o Grub inicia suas contagens a partir do 0. hda1 é (hd0,0), hda2 é (hd0,1), hdb1 é (hd1,0), hdc2 é (hd2,1). Deu pra entender? Letra antes da vírgula (a = 0, b = 1, c = 2, …) e número depois da vírgula (1 = 0, 2 = 1, 3 = 2, …)

Para editar um arquivo como root, escreva “su” para virar root e use “vim”, ou, se você não sabe fazer isso, sua distribuição provavelmente permite que você digite algo como: “sudo gedit arquivo” ou “sudo kwrite arquivo”.

Se você usa Lilo, é necessário que depois de salvar o arquivo você entre no terminal como root e digite:

# lilo

… para salvar suas alterações na MBR.

É isso. Reinicie seu computador e divirta-se com seu gerenciador de boots funcionando novamente. Qualquer dúvida, escrevam comentários.

Linux ganhando espaço

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

A medida que família e amigos (usuários leigos) conhecem o Ubuntu, o Linux vem ganhando cada vez mais espaço nos computadores por aqui. Neste final de semana, viajei pra Floripa e meu tio, doutor em psicologia, se mostrou interessado no software livre e em usar Linux. Ele questionou: Por que os socialistas, os anarquistas, os índios, […] não usam Linux? Não soube responder. Quer dizer, só pode ser por falta de conhecimento… Já que os computadores vêm com o Windows ninguém vai atrás de outra coisa mesmo que tenha tanto a ver com os seus objetivos e sua maneira de viver. E concordamos que o software livre precisa de algo como aquele projeto de software livre para leigos que eu estava fazendo, algo que mostre como migrar aos poucos e que traga uma lista de soluções. Ele sugeriu que o site fosse desenvolvido em comunidades, eu pensei num wiki. Devo lançar algo semana que vem, apenas um pontapé inicial, para que cada pessoa possa postar sua contribuição e o site vá crescendo aos poucos. Aceitam o desafio?

Mas voltando ao assunto da inclusão do Linux nos computadores por aqui… No mesmo dia, já que estava sem CDs lá, baixei e instalei o Kurumin 5.0 no laptop do meu tio. Fazia algum tempo que eu estava por fora das novidades do Kurumin. Na minha opinião, ele tá muito melhor que o Ubuntu. Aqueles ícones mágicos são maravilhosos! E ele ainda tem muitos scripts facilitadores que o Ubuntu não tem, como a configuração daqueles modens chatos Speedtouch que ontem eu tive que configurar. Por essas e outras, resolvi instalar agora Kurumins ao invés de Ubuntus nos computadores pelos quais passo. Pelo menos aqui no Brasil, vale bem mais a pena; e ainda valorizamos o produto nacional!

Porém, ainda acho que o Linux para iniciantes tem alguns pontos fracos. O particionamento do HD é muito difícil pra quem tá vindo (mesmo com o simples GParted); a configuração do gerenciador de boot (o Lilo e Grub precisam ter uma interface gráfica para configuração nessas distros para leigos) é muito difícil também; e ainda tem a questão de configuração de outras coisas que ainda são complicadas mesmo no Kurumin, como a configuração do Speedtouch que pede umas coisas que ninguém sabe tipo VPI e VCI. Com o projeto que citei acima, espero que o usuário tenha mais facilidade para realizar essas tarefas.

Mudando radicalmente de assunto…

Eu, o Bruno (meu irmão) e o André (o cara que toca pandeiro no nosso grupo de choro) vamos nos apresentar no Colégio depois de amanhã, na Noite da Poesia. Quem puder, compareça. Iremos tocar Segura Ele, do Pixinguinha e o resto do espetáculo deve ser bem legal também.