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Como copiar textos da Folha e outros sites que não deixam

Alguns sites começaram a abusar de um recurso super interessante do JavaScript para acabar com uma das características mais importantes da Internet: a capacidade de copiar/colar.

O tratamento dos clipboard events (oncut, oncopy e onpaste) deveria servir para permitir que os programadores façam coisas legais quando você copia/cola um texto (por exemplo, um processador de textos online pode inserir/remover formatação), mas tenho visto cada vez mais ele ser usado para adicionar uma mensagem de copyright no final de um texto copiado, impedir usuários leigos de copiarem textos na web e evitar que se cole coisas que você copiou em formulários.

O que mais me incomoda (e que me levou a escrever esta postagem) é que, hoje, quem copia um trecho de uma reportagem da Folha (para guardar, compartilhar numa rede social ou o que quer que seja) acaba colando:

Para compartilhar esse conteúdo, por favor utilize o link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/bla-bla-bla ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos, artes e vídeos da Folha estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo do jornal em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização da Folhapress (pesquisa@folhapress.com.br). As regras têm como objetivo proteger o investimento que a Folha faz na qualidade de seu jornalismo. Se precisa copiar trecho de texto da Folha para uso privado, por favor logue-se como assinante ou cadastrado.

Não é incrível (e sintomático) que o grupo que gerencia o portal mais importante da Internet no Brasil (UOL) tenha uma concepção tão atrasada da rede? Ok, não dá nem pra dizer que isso nos surpreende depois da censura da Falha e do paywall.

Sem mais delongas: isso merece ser hackeado. Neste post, proponho algumas soluções simples para você poder voltar a copiar e colar no seu navegador como sempre fez. Minha preferida, como sempre, é a última.

Solução trivial para quem usa Linux

Antes de sugerir soluções de verdade, convém observar que quem usa Linux (X11) pode copiar selecionando um texto (sem apertar Ctrl+C ou qualquer outra combinação esdrúxula de teclas) e colar apertando o botão do meio do mouse. Quando se copia/cola dessa forma, o navegador não emite os temidos eventos oncopy/onpaste (ou seja, tudo funciona normalmente).

Rodolfo Mohr também observou que você pode copiar um texto selecionando-o, clicando com a tecla direita na seleção e em “Pesquisar no Google”. Uma aba vai abrir com a pesquisa no Google e você pode copiar o texto lá. É um hack válido, embora incômodo.

Somente Firefox: usando about:config

Se você usa Firefox, pode desabilitar os clipboard events digitando, na barra de endereços, em about:config. Talvez ele diga que é perigoso e peça para você clicar num botão dizendo que sabe o que está fazendo. Pode confiar. Em seguida, procure a chave dom.event.clipboardevents.enabled e clique duas vezes nela para mudar seu valor para false. Reiniciando o navegador, o recurso copiar/colar estará funcionando normalmente (ou talvez nem precise reiniciá-lo).

Extensões (para Firefox, Chrome e Opera)

Não tem o que explicar. Simplesmente clique no nome do seu navegador e instale: Firefox, Chrome, Opera.

Editado em 01/04/2014, 22:30: A extensão que eu havia colocado para Chrome só desabilita o tratamento de eventos onpaste em formulários. Se você conhecer alguma extensão similar a do Firefox ou a do Opera, me avise pelos comentários.

Desabilitando sob demanda via JavaScript

É muito importante ter em mente que aplicações web como processadores de texto podem usar os eventos oncut/oncopy/onpaste para coisas úteis. Por isso, é desejável desabilitar esses eventos somente em sites específicos.

Não encontrei nenhuma extensão que faça isso, mas um código simples em JavaScript para recuperar o comportamento padrão dos eventos em um determinado site (testei no Firefox e no Chrome) é:

all = document.querySelectorAll("*");
fn = function(e) {
    e.stopPropagation();
    return true;
}
for (var i = 0; i < all.length; i++) {
    all[i].oncut = fn;
    all[i].oncopy = fn;
    all[i].onpaste = fn;
}

Se digitarmos isso no console (Shift+Ctrl+J), as funções copiar/colar devem voltar a funcionar.

Userscript

A solução anterior nos permite criar um userscript para desabilitar o tratamento dos eventos apenas no site da Folha:

// ==UserScript==
// @name Permite copiar textos da Folha
// @include http://*.folha.uol.com.br/*
// ==/UserScript==
 
window.onload = function() {
    all = document.querySelectorAll("*");
    fn = function(e) {
        e.stopPropagation();
        return true;
    }
    for (var i = 0; i < all.length; i++) {
        all[i].oncut = fn;
        all[i].oncopy = fn;
        all[i].onpaste = fn;
    }
}

Portanto, se você quiser copiar do site da Folha sem preocupações (e sem desabilitar os eventos em outros sites), pode instalar as extensões GreaseMonkey (Firefox) ou TamperMonkey (Chrome), e então esse userscript clicando neste link: falha.user.js.

Bookmarlet

Acho o método acima (do userscript) o melhor para copiar da Folha. No entanto, é conveniente ter um método mais genérico. Por isso, criei um bookmarklet, isso é, um pequeno script que podemos executar clicando num botão na barra de favoritos (neste caso, para restaurar o comportamento padrão das funções copiar/colar).

Aqui está ele: Restaurar copiar/colar

Para instalar, arraste esse link para sua barra de favoritos. Para usar, clique sempre que precisar copiar um texto e então copie normalmente.

Viva a Internet!

Como ler documentos do Scribd

Depois de ouvir esse improviso do André Mehmari sobre Odeon e Choro pro Zé, fiquei com vontade de encontrar a partitura desse belo choro do Guinga. Porém, descobri que infelizmente é extremamente difícil encontrar o songbook “A música de Guinga”.

Procurando na rede, encontrei um torrent com um PDF com qualidade ruim e um documento do Scribd com qualidade boa. O problema é que o Scribd tem um paywall para não deixar as pessoas baixarem ou lerem os documentos que seus usuários colocam lá:

free-preview

Percebi que ele passa todas as imagens corretamente para o navegador e só no lado do cliente muda a opacidade das páginas para elas ficarem semitransparentes. Então escrevi um userscript bem simples (usando jQuery por comodidade) para o Greasemonkey (uma dessas extensões indispensáveis do Firefox) para recuperar a opacidade das páginas do texto e, se necessário, remover essa mensagem “You’re reading a free preview”.

// ==UserScript==
// @name Suppress Scribd Paywall
// @include http://*.scribd.com/doc/*
// @require http://code.jquery.com/jquery-2.0.3.min.js
// ==/UserScript==
 
(function($) {
    $(document).ready(function() {
        window.setInterval(function(){$(".absimg").css("opacity", "1")}, 1000);
        $(".autogen_class_views_read_show_page_blur_promo").on("click", function(e) { $(this).hide(); });
    });
})(jQuery);

Para usar, é só instalar o Greasemonkey no Firefox e depois baixar o userscript scribd.user.js. Resultado:

choro-pro-ze

Como ler notícias ilimitadas de Folha, Estadão e Globo sem cadastro

TL;DR: Instale o Adblock Plus em seu navegador, entre nas suas opções, peça para adicionar seu próprio filtro e adicione o filtro: *paywall*. Você agora deve ser capaz de ler notícias de Folha, Estadão e Globo sem cadastro. Caso tenha interesse em saber o caminho que levou a solução até aqui, continue lendo o post.




A mídia tradicional mudou a forma como publica na internet. A regra agora é que sem cadastro você só pode acessar um determinado número (pequeno) de notícias. O nome do sistema é paywall. Ao chegar no limite, você recebe mensagens como as seguintes:

folha estadao globo
Folha, Estadão e Globo quando você lê muitas reportagens

No caso da Folha, só o cadastro pago dá acesso ilimitado. Nos outros, aparentemente um cadastro gratuito é suficiente. De qualquer forma, por que dar seus dados para esses sites saberem quem você é, como navega e o que gosta de ler? Para quem esses sites vão dar essas informações?

Para além da preocupação com privacidade e anonimato, esse sistema funciona como um bloqueio para que as pessoas não possam ler e disseminar as notícias da internet. Torna a circulação de informações mais difícil e o espaço internético mais privado e menos democrático. Por isso, compartilho aqui um pouco sobre o funcionamento do paywall e algumas formas de contorná-lo.


Os sites não querem que buscadores tenham dificuldade de acessar e indexar seu conteúdo. Tampouco querem bloquear endereços de IP, já que a quantidade de pessoas que usa internet via NAT (compartilhando o mesmo endereço de IP com outras pessoas numa mesma rede) é enorme. Por isso, eles fazem todo o controle não no computador deles (servidor), mas no seu computador (cliente).

Para fazer isso, eles contam com a ajuda do seu navegador. Eles mandam a página sempre da mesma forma e o seu navegador é que faz o trabalho sujo. Roda um programa escrito em JavaScript para olhar pros dados que ele mesmo já tinha registrado anteriormente (os chamados cookies). Baseado nesses dados, redireciona você para outra página (no caso de Folha e Estadão, simplesmente coloca um fundo preto semi-transparente em cima do conteúdo do site).

Isso torna não só possível, como trivial contornar o bloqueio. Basta dizer para o seu navegador não registrar cookies, desativar a execução de JavaScript ou rodar outro programa para anular a ação do programa da grande mídia. Abaixo vou mostrar diversas formas de fazer isso usando o Mozilla Firefox, mas em outros navegadores há formas semelhantes de fazer o mesmo. Como sempre, a última forma é a que eu considero melhor.

Usar janela de navegação privada

A forma mais simples de acessar um conteúdo bloqueado é acessar a página numa janela de navegação privada. Para abrir tal janela, basta usar o atalho Ctrl+Shift+P no Firefox (ou Ctrl+Shift+N no Chromium). Como essa janela não vai usar os cookies que seu navegador tem registrado na janela principal, você vai conseguir acessar o conteúdo proibido normalmente (como se nunca tivesse acessado nenhuma notícia antes). Há pessoas que usam só o modo de navegação privada o tempo todo (uma opção razoável para evitar rastreamento).

Remover cookies individuais

No Firefox, você pode usar Editar → Preferências → Privacidade → Remover cookies individuais para remover cookies registrados no seu computador. Se você remover todos, vai sair automaticamente de todos os sites onde está logado. Como seu objetivo é contornar o paywall, você pode remover cookies somente dos sites que deseja acessar (no caso, procurar globo, folha e estadao na barra de busca da remoção de cookies).

Desativar JavaScript

É possível desativar a execução de programas enviados pelos sites que você acessa no Firefox desmarcando a caixa Permitir JavaScript no menu Editar → Preferências → Conteúdo do Firefox. Dessa forma, você vai perder muitas funcionalidades dos sites, mas navegar mais rápido e não ter que encarar paywall algum.

A extensão NoScript do Firefox torna mais fácil ativar/desativar scripts de determinados domínios.

Desativar CSS

Se você não se importar com leiaute e diagramação da página, Exibir → Estilos da página → Nenhum estilo vai fazer tudo ficar feio, mas o texto legível.

Usar extensão Web Developer

Instalar a extensão Web Developer no Firefox torna ainda mais simples remover cookies de um determinado domínio e desativar JavaScript ou CSS (aparece uma barra embaixo da barra de endereço com botões pra executar essas ações).

Remover lightbox

No caso de Folha e Estadão (que sobrepõe um fundo preto semi-transparente e uma lightbox na página ao invés de redirecionar você para outra página como faz o Globo), é possível fazer a lightbox desaparecer (sem mexer nos cookies ou no JavaScript) usando o modo de inspeção (Ctrl+Shift+I), selecionando os elementos que quer remover e adicionando o CSS display:none; neles. Por meio de um userscript do Greasemonkey seria possível automatizar isso.

Forma definitiva (minha preferida): filtros no Adblock Plus

Adblock Plus é uma extensão do Firefox extremamente eficiente para bloquear publicidades e scripts não desejados. Os seguintes filtros bloqueiam os scripts de paywall de Folha, Estadão e O Globo:

||paywall.estadao.com.br^
||estadao.com.br/paywall/*
||www1.folha.uol.com.br/folha/furniture/paywall/*
||static.folha.com.br/paywall/*
||oglobo.globo.com/servicos/inc/payWall.Conteudo.js
||oglobo.globo.com/plataforma/js/*/minificados/paywall/registraConteudosLidos.js

(Depois de escrever, fiquei pensando que talvez seja razoável bloquear simplesmente *paywall* de uma vez.)

Para usar, basta ter instalado o Adblock Plus, copiar essas regras (todas juntas) e colá-las em Ferramentas → Adblock Plus → Preferências de filtros → Filtros personalizados.

Como baixar fotos dos álbuns da UOL

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 6 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Se você não é nerd, não tem tempo, não tem coração e não tem curiosidade, recomendo que ignore todo o texto e leia somente o item 3.

Por causa da forma como os álbuns de fotos do UOL são feitas, copiar suas fotos é uma tarefa difícil para a maioria dos usuários. Não acho que a UOL faça assim de propósito, mas por uma questão de usabilidade mesmo: há dois botões enormes em cima das fotos para você avançar para a próxima foto ou voltar para a anterior, e é por causa deles que você não consegue ver o “Copiar endereço da imagem” quando clica com a tecla direita na área da imagem (porque você não está realmente clicando na imagem, mas num botão transparente).

No entanto, há várias formas de copiar fotos dos álbuns da UOL. Neste post apresento algumas. Para testar, você pode tentar aplicar essas ideias neste álbum.

0. Soluções toscas

Como eu disse no início, os webmasters do UOL aparentemente não fazem os álbuns se comportarem assim de propósito, mas por causa de botões gigantes. A maneira mais fácil de copiar uma foto de um álbum do UOL é clicar bem na coluna exatamente no meio dela, evitando as duas setas. Você pode passar o mouse devagar pelo meio da foto até que o seu cursor deixe de ser uma mãozinha e seja uma seta. Pra saber se você deve ir pra esquerda ou pra direita é só ir na direção da seta que você não está vendo.

Outra solução também tosca é simplesmente tirar um screenshot da tela em que você está (apertar a tecla PrintScreen na maioria dos computadores deve funcionar) e recortar a imagem. Eu imagino que essa seja a solução mais usada, mas pessoalmente acho ela terrível.

Não pare de ler! Prometo que as próximas soluções vão ser mais legais.

1. Somente para o Firefox: desativar estilos

Desativar o CSS da página é uma forma fácil de acabar com todo seu leiaute e dessa forma copiar a imagem sem se preocupar com perfumarias. Você provavelmente pode fazer isso em qualquer navegador usando plugins (e nos navegadores que não suportam CSS é até mais fácil: você nem precisa fazer nada!) e no Firefox em particular há um botão no menu (Exibir » Estilos » Sem estilos).

2. JavaScript na barra de endereço

Em geral, você pode escrever um script na barra de endereço para executá-lo na página em que você está. Há um tempo atrás todos os navegadores aceitavam isso, mas aparentemente muitos têm desativado esse recurso por questões de segurança, inclusive o Firefox. De qualquer maneira, se seu navegador suportar, você pode simplesmente digitar:

javascript:document.getElementById("setaEsq").style.width=document.getElementById("setaDir").style.width="50px";void(0);

na barra de endereço quando estiver na página do álbum do qual quer baixar fotos.

Isso vai reduzir o tamanho dos botões, fazendo com que a área clicável seja bem maior.

Exercício para quem souber ou quiser aprender JavaScript: Escreva um script que abra a foto numa nova aba em vez de simplesmente deixá-la clicável. Transforme-o num bookmarlet (veja o próximo item).

3. Bookmarlet

A solução anterior nos incentiva a criar um botão que execute esse script para não termos que decorá-lo nem copiá-lo sempre. Eis aqui esse botão para você: Aumentar área clicável das fotos dos álbuns da UOL. Clique com a tecla direita nesse link e adicione-o aos seus favoritos. Quando você estiver num álbum, clique nesse favorito e a imagem vai se tornar magicamente clicável :)

4. Firefox e GreaseMonkey

Se você usa Firefox e tem instalada a extensão GreaseMonkey, instale o seguinte user script (que executa o mesmo código que colei no item 2) e sempre que você abrir um álbum as fotos serão clicáveis: Download do userscript

// ==UserScript==
// @name Copiador de fotos UOL
// @description Torna mais fácil copiar fotos de álbuns da UOL
// @author  Tiago Madeira <contato@tiagomadeira.com>
// @include http*://*.uol.com.br/album/*
// @version 0.9
// ==/UserScript==
 
(function(){
    window.onload = (function() {
        document.getElementById("setaEsq").style.width = "50px";
        document.getElementById("setaDir").style.width = "50px";
    });
})();

Mas estou lendo este post em 2020 e o UOL mudou! Ou eu quero baixar fotos do site X, não do UOL!

A solução 1 (desativar estilos) funciona em 99% dos casos. Não quer ver sites sem estilo? Continue lendo.

5. Se você não quiser utilizá-la e se você estiver usando Firefox, pode clicar no ícone ao lado do endereço do site na barra de endereço e aí no botão “Mais informações”. Isso vai abrir uma tela com uma seção “Mídia” onde é possível ver e salvar imagens, ícones e vídeos que seu navegador baixou para mostrar a página. Esse método funciona também para copiar vídeos HTML5, inclusive do YouTube:

6. Se você não quiser procurar uma imagem no meio de um monte de mídias, a última versão do seu navegador deve ter um botão “Inspecionar elemento” no menu de contexto sempre que você clica com a tecla direita em qualquer lugar da página. Usando essa ferramenta é possível ver o código HTML do que você está vendo (ela é diferente e melhor do que simplesmente ver o código-fonte da página porque usando a inspeção de elementos você vê o código do momento atual, depois dos scripts mudarem as coisas). Se você pedir para inspecionar alguma coisa transparente em cima da imagem, em geral não vai ser difícil achar a própria imagem. Este screenshot é do Chrome:

Há inúmeras soluções mais nerds, mas quis manter a lista com sugestões fáceis e que não precisam de nada além do seu navegador. Alguma outra ideia simples, criativa e divertida? Blogue por aí ou me conte pra eu aumentar a lista!

A palestra do Chris Hofmann (Mozilla) e outros destaques do 2º dia do 12º FISL

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 6 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

A palestra do Chris Hofmann, da Mozilla Foundation, superou minhas expectativas. Acho que não esperava muito por causa de traumas com gringos que vem falar em nome de programas grandes/populares e acabam decepcionando. Mas é claro que com a Mozilla tinha que ser diferente. Chris contou a história do Firefox justificando a necessidade de sua existência desde que foi criado (época em que o Internet Explorer representava mais de 95% dos navegadores e parecia impossível inovar a web) até hoje, quando as empresas (e os navegadores escritos por elas) cada vez mais ignoram a privacidade de seus usuários. Comprovou esse ponto com duas citações, uma do CEO do Google e outra do CEO do Facebook (Eric Schmidt e Mark Zuckerberg, respectivamente), que mostravam seu total desprezo pelos dados que compartilhamos nesses sites.

Prosseguindo nesse sentido, ele fez o paralelo entre uma proposta do congresso dos Estados Unidos em 2001 (que propunha que o governo controlasse e-mails, documentos, cartão de crédito e sites acessados pelos usuários) com o Google de hoje (Google Mail, Google Docs, Google Checkout, Google Analytics — respectivamente). A partir daí, falou do funcionamento do Firefox Sync, que, diferentemente do sincronizador do Chrome, criptografa as informações antes de mandar para o servidor (portanto, deixando a Mozilla sem acesso aos dados dos usuários) e também fez um apelo para que usemos a checkbox “I do not want my data to be tracked” dos novos Firefox para que ao menos mandemos uma mensagem para os sites dizendo que não estamos de acordo com a forma como elas estão nos vigiando nesses tempos. Sua fala foi um bom complemento ao que o Alexandre Oliva (da Free Software Foundation) colocou ontem, sobre a violação de privacidade que tem aumentado muito também nos sistemas operacionais de telefones celulares.

Chris concluiu agradecendo e incentivando os presentes a continuar espalhando o Firefox ajudando seus parentes e amigos a migrarem, usando versões beta, reportando bugs, ajudando com traduções e se envolvendo mais com a comunidade Mozilla.

Outros destaques, curiosidades e citações aleatórias

  1. O Irmão Pedro Ost definiu software livre de uma forma legal: “Em vez de eu me adaptar ao programa que vem, o programa tem que se adaptar à minha realidade.”
  2. Jacob Appelbaum falaria sobre o projeto Tor e sobre censura na internet. Provavelmente teria sido uma palestra interessantíssima — eu esperava que fosse uma das melhores deste FISL, ainda mais pelas coisas recentes que aconteceram no mundo –, mas infelizmente seu avião atrasou. Por conta disso, Jeremy Allison, do Samba e do Google, fez uma palestra sugerindo cloud computing para substituir sistemas de arquivos em rede (NFS, Samba). Eles seriam baseados em busca (no lugar de sistemas de arquivos baseados em árvores de diretórios). A ideia de basear sistemas de arquivos em buscas é divertida, mas a sugestão de manter seus dados longe é preocupante, ainda mais vinda de um funcionário do Google.
  3. Esperava muito mais da mesa sobre ética hacker com Sérgio Amadeu, Alexandre Oliva e Nelson Pretto. Pelos nomes e pelo tema, esperava que fosse um dos grandes eventos deste FISL, mas não foi nada demais. Uma fala curiosa do Sérgio: “O hacker é um individualista, mas não é o individualista que a cultura de massa criou. É um individualista colaborativo. Se realiza quando consegue enfrentar o desafio e compartilhar com os outros.”
  4. Foi bastante interessante a palestra do Deivi Lopes Kuhn sobre software livre no governo federal. Anotei algumas coisas e vou deixar pra sistematizar e publicar comentários em breve, num post a parte (devido à densidade do conteúdo).

Programas indispensáveis no meu computador

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

O Tiago Celestino me convidou pra esse meme há… mais de três meses. Antes tarde do que nunca, então lá vamos nós.

Pra começar, a definição de programa é complicadíssima. Pra mim, não adianta ter Firefox se não tenho ifconfig. Da mesma forma, será que uma biblioteca é um programa? Para ter Firefox eu tenho que ter várias libs, que talvez eu não possa nessa brincadeira. E se eu puder escolher um programa sem pensar em nada disso, será que posso escolher o apt-get?

Bem… Parti do princípio de que tenho todas as libs do mundo que eu quiser, não vale apelar pro apt-get e não vale baixar outros programas. Nesse caso, eu escolheria os seguintes três programas pra viver:

Bash

Página oficial

A vida sem terminal não tem graça. Se bem que não sei se vou conseguir usar 1/10 dos recursos do Bash sem programa nenhum, isso é, sem ls, grep, sed… Quem se importa? Ao menos pra chamar o Vim e o Ruby preciso de um shell, e escolho o Bash.

Vim

Página oficial

Editor de texto de macho, sem frescuras. Esse programa me acompanha há anos, não consigo me ver longe dele, suas utilidades são infinitas.

Ruby/IRB

Página oficial

Minha nova linguagem. Tem que vir com documentação, senão eu tô ferrado. Mas já que tenho todas as libs e tempo do mundo, posso desenvolver o que eu quiser e dessa forma depois de algum tempo terei muitos outros programas.

Um navegador talvez até seja indispensável, mas acho que é algo sacrificável, já que tenho o Ruby pra fazer requisições HTTP e que dá pra se virar na unha.

Algo indispensável que eu me esqueci é o SSH. É sempre uma das primeiras coisas que faço questão de ter nas minhas instalações, com ele conecto na Dreamhost e de lá eu governo o mundo. O Wget também faria muita falta assim como um leitor de PDF e um programa pra ouvir música (mpd, sem sombra de dúvidas). Mas acho que nenhum desses é mais importante que os três primeiros.

Respondido?

Passo esse meme para o Ilmo. Sr. Rev. Ibrahim Cesar, Ilmo. Sr. John Artmann Jr. e para o Ilmo. Sr. Vinicius de Figueiredo.

Flash 9 no Firefox a 64 bits

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Para rodar o plug-in do Flash num Gentoo a 64 bits, baixe o plug-in para 32 bits na página da Adobe. Descompacte o .tar.gz e na pasta onde você descompactou, escreva:

# echo net-www/nspluginwrapper ~arch >> /etc/portage/package.keywords

… para desbloquear o “nspluginwrapper” do seu sistema, esse é o programa que vai transformar a lib de 32bits em uma lib de 64.

Então instale o nspluginwrapper:

# emerge nspluginwrapper

E agora é só instalar o plugin usando o nspluginwrapper:

# nspluginwrapper --install libflashplayer.so

Reinicie o Firefox e se divirta!

Se sua distribuição não for Gentoo, é só instalar o nspluginwrapper de outra maneira como installpkg, apt-get ou coisas do tipo. ;)

A dica foi do Renato e foi obtida no Gentoo Wiki, que é muito útil; realmente uma grande vantagem de quem usa Gentoo.

Dor de cabeça

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Anteontem formatei o laptop e instalei o slamd64. Por ordem de prioridade, lá vão os problemas…

Problema 1: placa ATI Radeon Xpress 1100. O “ati” do Xorg não suporta. Eu não consigo instalar os drivers proprietários. Baixei lá do site da ATI e rodei normalmente o arquivo e ele não abre o instalador gráfico que deveria abrir:

root@laptop:~# ./ati-driver-installer-8.32.5-x86.x86_64.run 
Creating directory fglrx-install
Verifying archive integrity... All good.
Uncompressing ATI Proprietary Linux Driver-8.32.5........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................
==================================================
 ATI Technologies Linux Driver Installer/Packager 
==================================================
Detected configuration:
Architecture: x86_64 (64-bit)
X Server: X.Org 6.9.x 64-bit
Removing temporary directory: fglrx-install
root@laptop:~#

(e, sim, não estou em root por su, o que poderia fazer eu não ter um DISPLAY, mas entrei no X como root mesmo)

Essa série 1100 parece ser nova porque há pouca informação sobre ela na internet. Alguém sabe ajudar?

Sem configurar a placa, não consegui usar 1280×800, aí tudo está “gordo” e desfigurado, porque estou usando 1024×768 num monitor widescreen (driver vesa).

Problema 2: 64 bits. Firefox com Flash, codecs proprietários do mplayer, Java. Achei que fosse mais fácil… O hlegius fez um comentário bem pessimista lá no outro post… E ele tem razão. Estou com o live-cd do Gentoo amd64 baixado esperando um CD virgem pra gravar (devo comprar hoje a tarde), todo mundo fala bem do Gentoo pra 64bits. Ainda tô baixando também o Ubuntu pra 64bits pra ver como é que é…

Eu não sei como se faz pra emular um subsistema de 32bits pra rodar Flash por exemplo. Depois também vou precisar de ajuda… mas a prioridade agora é o monitor mesmo.

Problema 3: Resto do hardware. Gravador de DVD, webcam, wireless. Nunca useu nenhum dos três. Vai ser uma experiência nova super divertida, com mais dor de cabeça ainda.

Problema 4: Teclado. Depois tenho que dar uma olhada no Xmodmap (acho que é isso que eu tenho que usar) pra fazer o ponto de interrogação (Altgr+W) funcionar.

Problema 5: O som hdaudio funciona, mas dá um monte de erro quando o udev detecta e inicia o alsa. Depois tenho que verificar…

Conclusão: Pelo visto esse mês (no mínimo) vai ser só dor de cabeça. Mas o aprendizado com certeza vai ser grande. ;) Quem já tiver passado por esses problemas e quiser me ajudar nessa aventura será muito bem recompensado (por Deus ou algum cara assim que você acreditar, porque meu dinheiro acabou na compra desse laptop… hehehe).

Lan house e sorvete expresso

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Estou passando uma semana das férias com a família numa pousada em Itapirubá, uma “vila” dentro de Imbituba-SC. Quando passei pela primeira vez pelas ruas do local, de carro, vi uma construção laranja de uns 10m x 4m onde estava escrito Lan House – Sorvete Expresso. No início, pensei: Legal, uma lan house! Mas olhei melhor e vi que só tinha preço de sorvetes por fora do local e cheguei a conclusão de que, numa “vila” dessas, as pessoas nem deveriam saber o que é uma lan house – aquele era só o nome de uma sorveteria.

No dia seguinte, passando a pé pelo local, eu olhei lá pra dentro e vi sete computadores!

Foi uma surpresa! Um ambiente pequeno, aberto, sem ar condicionado, com sorvete, do lado da praia, não parecia de forma alguma ser uma lan house.

Agora estou pela quinta vez aqui na lan house de Itapirubá. A idéia dos caras é ótima e o lugar está sempre cheio, porque tem muito turista que não quer abandonar sua “vida digital”. A lan house abriu há cerca de um mês e está sempre cheia – eu tive que aguardar aproximadamente uma hora pra conseguir este horário.

Com o sucesso que ela está fazendo, o dono está querendo ampliá-la e conseguir mais 10 computadores. Fazer uma lan house numa cidade pra turismo, do lado da praia e com sorvete expresso é um excelente negócio! Ontem a noite, os caras ofereceram um sorvete de graça pra todo mundo que estava lá dentro – isso é uma ótima maneira de deixar os clientes satisfeitos. :-)

Bom… Graças a sorveteria de Itapirubá, esse blog está sendo atualizado e o Tiago não abandonou sua geek life.

A lan house ainda pode melhorar em alguns aspectos. Ela precisa aumentar sua banda (a internet tá muito devagar, principalmente o upload) e deveria oferecer ao usuário um navegador (leia-se: Firefox, Opera, alguma coisa != IE) – eu estou abrindo o Firefox Portable do meu pen drive pra poder navegar na internet… Mas, anyway, legal a iniciativa dos caras, gostei da sorveteria. Quer um local barato com duas praias (separadas por um morro) com pouquíssima gente, com Sol e vento, e não quer abandonar sua vida na internet? Venha para Itapirubá!

Ah… E acho que por essa propaganda eu merecia mais um sorvete… ;-)

Gecko vs. Opera

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 12 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Opera Is Faster, More Secure, More Compliant Than Firefox, afirma o site OS News. Let’s get the facts… Não que eu seja um expert nisso, mas aqui está minha análise sobre o caso Mozilla (Gecko) vs. Opera, sem querer ofender ninguém, nem difamar a imagem do Opera. Mas se eu estiver errado, comentem o contrário! ;)

Vantagens do Opera

Na minha opinião, a única vantagem do Opera é que ele gasta menos memória. Isso é incontestável. Já fiz vários testes e ele é realmente muito bom nesse aspecto. Sobre ser mais rápido, eu não tenho tanta certeza. Se você compilar o seu Firefox para a sua plataforma e configurar usando o about:config eu acho que eles têm uma velocidade semelhante. E além de não ter uma internet estável o suficiente, não sei como fazer o teste de velocidade, de qualquer maneira…

Vantagens do Gecko

Tem bem mais compatibilidade com os padrões web e com DOM do que o Opera. Não vem com um monte de recursos que eu não quero. Existem centenas (ou milhares?) de extensões para eu baixar e que personalizam o navegador para mim. É um software livre. Já baixei várias vezes o código do CVS dele e compilei usando configurações para o meu processador. Eu tenho como criar extensões para ele com o que eu quiser. Eu tenho como ver o código dele (e alterar o que eu quiser); Como é possível ainda assim dizerem que o Opera é mais seguro?


Eu gostaria de acessar o link que o OSNews diz de onde veio a notícia, mas não está funcionando aqui… Sinceramente, pelo menos pra mim, o Firefox vale bem mais a pena. E acho que para os leigos também, que tem um navegador semelhante ao IE (semelhança que eu me refiro é só a posição das coisas!), mais recursos e mais segurança.

De qualquer maneira, cada um usa o que quiser!