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A palestra do Chris Hofmann (Mozilla) e outros destaques do 2º dia do 12º FISL

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 6 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

A palestra do Chris Hofmann, da Mozilla Foundation, superou minhas expectativas. Acho que não esperava muito por causa de traumas com gringos que vem falar em nome de programas grandes/populares e acabam decepcionando. Mas é claro que com a Mozilla tinha que ser diferente. Chris contou a história do Firefox justificando a necessidade de sua existência desde que foi criado (época em que o Internet Explorer representava mais de 95% dos navegadores e parecia impossível inovar a web) até hoje, quando as empresas (e os navegadores escritos por elas) cada vez mais ignoram a privacidade de seus usuários. Comprovou esse ponto com duas citações, uma do CEO do Google e outra do CEO do Facebook (Eric Schmidt e Mark Zuckerberg, respectivamente), que mostravam seu total desprezo pelos dados que compartilhamos nesses sites.

Prosseguindo nesse sentido, ele fez o paralelo entre uma proposta do congresso dos Estados Unidos em 2001 (que propunha que o governo controlasse e-mails, documentos, cartão de crédito e sites acessados pelos usuários) com o Google de hoje (Google Mail, Google Docs, Google Checkout, Google Analytics — respectivamente). A partir daí, falou do funcionamento do Firefox Sync, que, diferentemente do sincronizador do Chrome, criptografa as informações antes de mandar para o servidor (portanto, deixando a Mozilla sem acesso aos dados dos usuários) e também fez um apelo para que usemos a checkbox “I do not want my data to be tracked” dos novos Firefox para que ao menos mandemos uma mensagem para os sites dizendo que não estamos de acordo com a forma como elas estão nos vigiando nesses tempos. Sua fala foi um bom complemento ao que o Alexandre Oliva (da Free Software Foundation) colocou ontem, sobre a violação de privacidade que tem aumentado muito também nos sistemas operacionais de telefones celulares.

Chris concluiu agradecendo e incentivando os presentes a continuar espalhando o Firefox ajudando seus parentes e amigos a migrarem, usando versões beta, reportando bugs, ajudando com traduções e se envolvendo mais com a comunidade Mozilla.

Outros destaques, curiosidades e citações aleatórias

  1. O Irmão Pedro Ost definiu software livre de uma forma legal: “Em vez de eu me adaptar ao programa que vem, o programa tem que se adaptar à minha realidade.”
  2. Jacob Appelbaum falaria sobre o projeto Tor e sobre censura na internet. Provavelmente teria sido uma palestra interessantíssima — eu esperava que fosse uma das melhores deste FISL, ainda mais pelas coisas recentes que aconteceram no mundo –, mas infelizmente seu avião atrasou. Por conta disso, Jeremy Allison, do Samba e do Google, fez uma palestra sugerindo cloud computing para substituir sistemas de arquivos em rede (NFS, Samba). Eles seriam baseados em busca (no lugar de sistemas de arquivos baseados em árvores de diretórios). A ideia de basear sistemas de arquivos em buscas é divertida, mas a sugestão de manter seus dados longe é preocupante, ainda mais vinda de um funcionário do Google.
  3. Esperava muito mais da mesa sobre ética hacker com Sérgio Amadeu, Alexandre Oliva e Nelson Pretto. Pelos nomes e pelo tema, esperava que fosse um dos grandes eventos deste FISL, mas não foi nada demais. Uma fala curiosa do Sérgio: “O hacker é um individualista, mas não é o individualista que a cultura de massa criou. É um individualista colaborativo. Se realiza quando consegue enfrentar o desafio e compartilhar com os outros.”
  4. Foi bastante interessante a palestra do Deivi Lopes Kuhn sobre software livre no governo federal. Anotei algumas coisas e vou deixar pra sistematizar e publicar comentários em breve, num post a parte (devido à densidade do conteúdo).