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Você patentearia o Sol?

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 6 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Assisti esses dias Capitalismo: uma história de amor do Michael Moore (que, aliás, recomendo muito) e um momento do filme me chamou especial atenção:

O Dr. Jonas Salk passou todo seu tempo pondo rins de macaco num liquidificador tentando achar a cura para a pólio. Quando conseguiu, ele decidiu fornecê-la de graça. Esse homem podia ter sido muito rico se tivesse vendido sua vacina a uma empresa farmacêutica, mas ele achava que seu talento deveria ser usado para o bem comum e o salário que ele ganhava como médico e professor era suficiente para ele ter uma vida confortável.

— Quem possui a patente desta vacina?
— Bem… eu diria que o povo. Não há patente. Você patentearia o Sol?

É… Longe se vai a época do Dr. Salk, pois hoje nossas melhores mentes são empregadas em outra coisa. Para onde enviamos os melhores em matemática e ciências?

O deus dólar

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

[…] Havia nascido o deus dólar. A riqueza e a opulência, a fortuna e o impulso desenfreado abriram caminho, nos anos seguintes, para o imperialismo do dólar. Os antigos ideais de liberdade, de dignidade humana e de democracia ficaram restritos às flores da retórica, ao espírito dos missionários puritanos e às exigências impotentes dos pensadores, enquanto a classe dominante dos milionários, dos banqueiros, dos reis da indústria e dos patrões dos trustes, comandados pelo tráfico de influências políticas e capitalistas, exibia descaradamente todo o poder de que desfrutava no mundo. E, como sucede em qualquer processo político, essa alteração da sociedade norte-americana desenvolvera-se ao longo de várias décadas, no relativo isolamento de um país em formação antes de se ter imposto, claramente à consciência mundial.

John Davison Rockefeller

Charge do magnata do petróleo John Davison Rockefeller (1839-1937) que, consciente de seu poderio econômico, considera os poderes públicos dos Estados Unidos como meros brinquedos em suas mãos.

Será que hoje vivemos num mundo muito diferente? Tenho a impressão de que esse deus ainda não morreu. Aliás, ele nem é da sua época, Nietzsche.

Yankee imperialist, go home!

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Bush caused September 11

[…] o senhor Presidente [Bush] veio lhes falar, assim o disse: “Hoje quero falar diretamente às populações do Oriente Médio, meu país deseja a paz…”. Isso é certo. Se nós andamos pelas ruas do Bronx, se nós andamos pelas ruas de Nova York, de Washington, de San Diego, da Califórnia, de qualquer cidade, de San Antonio, de San Francisco, e perguntamos às pessoas nas ruas, aos cidadãos estadunidenses. Este país quer paz. A diferença está em que o governo deste país, dos Estados Unidos, não quer a paz, quer nos impôr seu modelo de exploração e de saque, e sua hegemonia na base das guerras.

(discurso de Hugo Chávez na ONU em setembro de 2006)

Não é um discurso novo, mas por sugestão da Caroline eu acabei de ler e adorei. Inclusive me deu vontade de ler o livro de Noam Chomsky.

Nos links abaixo você pode ler o discurso de Chávez na íntegra:

Vale a pena também ler este excelente artigo da Cabala sobre os estadounidenses: Hitler era um cara legal ou realidade para otimistas idiotas

O país que se diz o mais democrático do mundo é o máximo. As idéias da ONU são lindas, mas o seu poder é nulo (os EUA fazem o que eles quiserem). Os EUA usam a ONU para proibir os outros países de fazer coisas que eles fazem sem a permissão de ninguém. Aí acontecem os genocídios, como as bombas nucleares no Japão e as guerras no Oriente Médio.

Nós, enquanto povo, não temos poder nenhum. Essa história de democracia = demo + cracia = poder do povo é uma piada pouquíssimo engraçada, que não cola. Enquanto os governantes do resto do mundo não se revoltarem contra o imperialismo norte-americano e assumirem uma postura como a de Chávez, não haverá mudanças. E isso é ridículo, porque os EUA, além de destruírem culturas, estão destruindo nosso planeta.

Alguma idéia?

Vai trabalhar, vagabundo!

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

“Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.” (Gênesis, 3:19)

Quando você pensa no futuro, o que vem à sua mente? A não ser que você tenha sido criado em outro planeta ou em outros tempos, a sua resposta é: trabalho. É com trabalho que conseguimos dinheiro, pra poder descansar. É uma lógica tão estúpida que não sei como ainda funciona.

Vai trabalhar, vagabundo
Vai trabalhar, criatura
Deus permite a todo mundo
Uma loucura
Passa o domingo em familia
Segunda-feira beleza
Embarca com alegria
Na correnteza

Prepara o teu documento
Carimba o teu coração
Não perde nem um momento
Perde a razão
Pode esquecer a mulata
Pode esquecer o bilhar
Pode apertar a gravata
Vai te enforcar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Vê se não dorme no ponto
Reúne as economias
Perde os três contos no conto
Da loteria
Passa o domingo no mangue
Segunda-feira vazia
Ganha no banco de sangue
Pra mais um dia

Cuidado com o viaduto
Cuidado com o avião
Não perde mais um minuto
Perde a questão
Tenta pensar no futuro
No escuro tenta pensar
Vai renovar teu seguro
Vai caducar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Passa o domingo sozinho
Segunda-feira a desgraça
Sem pai nem mãe, sem vizinho
Em plena praça
Vai terminar moribundo
Com um pouco de paciência
No fim da fila do fundo
Da previdência
Parte tranquilo, ó irmão
Descansa na paz de Deus
Deixaste casa e pensão
Só para os teus
A criançada chorando
Tua mulher vai suar
Pra botar outro malandro
No teu lugar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai te enforcar
Vai caducar
Vai trabalhar

(Chico Buarque)

O trabalho do “proletário” como existe hoje surgiu com a Revolução Industrial, no século XVIII. É engraçado que, quando estudamos esse período na escola, todos adoram criticá-lo; parece que faz parte de uma realidade distante e que hoje ninguém é proletário. Ninguém pensa no hoje e na nossa situação, porque todos estão conformados.

Antes do proletariado surgir, existiam outras formas de trabalho, como os artesãos e os escravos. Os artesãos trabalhavam por eles mesmo, não para burgueses. Os escravos trabalhavam para um senhor, mas esse site explica bem a diferença entre o proletário e o escravo:

Como se diferencia o proletário do escravo?

O escravo está vendido de uma vez para sempre; o proletário tem de se vender a si próprio diariamente e hora a hora. O indivíduo escravo, propriedade de um senhor, tem uma existência assegurada, por muito miserável que seja, em virtude do interesse do senhor; o indivíduo proletário – propriedade, por assim dizer, de toda a classe burguesa -, a quem o trabalho só é comprado quando alguém dele precisa, não tem a existência assegurada.

O trabalho não é uma necessidade. Quem não trabalha não é vagabundo. A própria palavra “trabalho” vem de “tripalium” e lembra tortura, sofrimento. A nossa mentalidade é baseada em uma série de conceitos que foram se formando ao longo do tempo e que pouca gente pára pra pensar se estão certos.

Qual é a solução? Um comunismo? Não sei, acho que não, mas também não tenho a resposta. Cada um pode decidir por si só, mas acho que do jeito que tá não é legal. Passamos a vida “escravos” de um sistema por dinheiro. Pensem bem: isso não faz sentido! Tem coisas muito melhores pra se fazer e pra se ter na vida. Às vezes parecemos retroceder em vez de evoluir. No fim, o que é importante?

Ninguém jamais deveria trabalhar. O trabalho é a fonte de quase todos os sofrimentos no mundo. Praticamente qualquer mal que se possa mencionar vem do trabalho ou de se viver num mundo projetado para o trabalho. Para parar de sofrer, precisamos parar de trabalhar.

(Hakim Bay)

Então é natal… Que frio!

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Na teoria, natal é a data em que se comemora o nascimento de Jesus. Na prática, creio que o natal deveria ser chamado de Dia Internacional do Capitalismo.

Eu e a Carol pensamos em publicar uma série sobre o natal. Não sabemos se vamos conseguir dar conta de postar um artigo por dia ou a série vai se constituir de dois artigos, mas vamos tentar. :-) Esse é o primeiro post.

Coca-cola e o Natal 2006
Viva o lado Coca-cola do Natal – Que lado é esse?

Eu tenho a impressão de que as propagandas estão cada vez piores. Não só no natal, mas em geral. E o povo gosta, ou simplesmente não liga. “Beba Fanta e fique bamboocha!”… Quê isso? Existe um blog onde o assunto são justamente essas propagandas ridículas e mal feitas.

Qual o sentido do “lado Coca-cola do Natal”? Mas OK, não vou implicar com isso. O que eu quero que vocês me expliquem é por que está nevando no anúncio?

Que eu saiba, a gente está vivendo um calor infernal aqui no Brasil. Um velho gordo vestido com uma roupa peluda e pesada na neve, tomando Coca-cola? Onde está o bom senso?

A Coca-cola poderia (deveria) usar esse clima quente pra promover seu produto, não a neve! Nesse momento, eu estou com vontade de tomar uma Coca bem gelada. Esse calor é um motivo muito melhor pra tomar uma Coca do que o frio do anúncio. Alguém discorda de mim?

Tenho a impressão de que a gente copia umas coisas dos países do hemisfério norte (porque eles são desenvolvidos, nós não somos civilizados e nós queremos ser iguais a eles) que não combinam com a gente. E a gente nem pára pra pensar nisso…

Logo Correios Natal 2006
Neve? Eu estou derretendo aqui sem camisa… Onde fica a sede dos Correios?

Vamos largar essa mentalidade e assumirmos que somos brasileiros? Concordo com o Rafael: nesta república, o Papai Noel deveria usar verde e amarelo, bermuda e camisa regata.

John Chow é O Cara!

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John Chow é um blogueiro que está ganhando bem, talvez o suficiente pra viver de um blog. Ele conta em seu blog que ganhou US$ 355 em setembro, US$ 1362 em outubro e US$ 2140 em novembro. Mas John é um sujeito caridoso e ele escreveu que nunca foi sua intenção fazer dinheiro com o blog:

I have decided to donate the income from the blog to my church and other charities. John Chow dot Com is my personal blog and making a profit from it just seems strange to me. Please note, I am not downing anyone who makes money off his or her personal blog – I think that is great.

Então, ele doou US$ 2000 para instituições de caridade e igrejas, para ajudar as pessoas e promover o natal de centenas de pobres.

Assim como o Rafael, não sei o que dizer. Achei que não existissem pessoas assim no mundo. A minha hipocrisia não me permitiria fazer isso com o meu dinheiro.

A atitude de John Chow foi bonita, digna de um louco! :-) Se todos fossem iguais a ele, nosso mundo seria melhor. Ou não? Disse o Rafael na resposta de um comentário que eu coloquei no site dele:

Trabalhamos e temos uma recompensa que é o dinheiro com a qual conseguimos as coisas.

É uma lógica totalmente capitalista e é corretíssima dentro do nosso sistema. Mas será que é certa? Será que podemos/devemos ser diferentes de todo o resto da sociedade?

What would you do for a PS3?

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O que você faria por um PlayStation 3? Espere! Não responda agora!

Tem gente que daria o próprio filho em troca do novo videogame da Sony – muita gente. Foi o que descobriu a rádio KDWB-FM de Minneapolis, Minnesota. Semana passada o apresentador Dave Ryan tentou fazer o que, a um jornal local, chamou de “experimento social”. O radialista prometeu um PS3 a pais que abrissem mão dos seus bebês por 24 horas.

“Recebemos mais ligações do que conseguíamos comportar”, conta. “Eles se enfileiraram, loucos para entregar seus filhos em troca de um c* de um PlayStation.” Segundo Ryan, pouco perceberam se tratar de uma brincadeira. Bebês de todas as idades – inclusive de dois dias a uma semana de vida – foram ofertados, ao vivo, no programa. Uma mulher chamada Katie estava tão desesperada por um PS3 que ofereceu o filho por três dias. Ela disse que queria vender o console do eBay para engordar a receita do fim de ano. O bebê tem um mês de idade.

Mas tem mais. Quando Ryan disse no ar que tudo não passava de brincadeira, Katie ligou de novo para a rádio. “Ela disse ‘Então quer dizer que não vou ganhar o PlayStation?’ Eu pensei que ela era bem burra, mas não queria que se sentisse mal. Disse ‘Olha, você não foi a única que caiu na brincadeira. Mas, ao mesmo tempo, pense que essas são as suas crianças, os bens mais preciosos que vocês terão na sua vida. Tenham cuidado’.”

Saiu no Omelete e no Cabala 1001 Gatos de Schrödinger. Um vídeo do programa pode ser acessado aqui.

É triste ver a que ponto o homem chega. Pais e mães estão querendo trocar seus bebês por um videogame! O capitalismo é um mal? O capitalismo tem limite? E o mais importante: o que é importante?

Vamos discutir? Este blog quer ser um espaço para debate de idéias, não quer apenas monólogos chatos de seus autores. Comentem!

A necessidade de ter dinheiro

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Em todo o mundo, nesse período de dois anos, Antonio Mugica faturou US$ 500 milhões.

“Isso não é nada”, diz ele a Terra Magazine, na manhã desse domingo, num salão do Hotel Tamanaco, onde se hospeda. Camisa cinza sem gola, blazer e calça pretos, barba por fazer, Mugica, emenda:

– …não é nada porque só os dois criadores do Google valem, cada um deles, US$ 14 bilhões.

(Antonio Mugica, criador da urna eletrônica usada nas eleições presidenciais da Venezuela, em entrevista à Terra Magazine)

Ganhando US$ 250 milhões por ano, esse cara faz parte do grupo seleto do 0.001% mais rico da população mundial (calculado aqui). Isso não é nada porque só os dois criadores do Google valem, cada um deles, US$ 14 bilhões? Só pode ser algum tipo de piada bem sem graça que eu não consegui entender…

Ele não disse que não valia nada porque com essa grana ele não conseguia fazer alguma coisa, mas simplesmente porque tem gente que tem mais. Ele quer ser o mais rico independente de o que vai fazer com esse dinheiro! É triste parar pra refletir e chegar a conclusão de que é assim em todo o mundo: a ambição, o consumismo e a necessidade de ter dinheiro são problemas clássicos do mal vicioso, promovidos principalmente pelo capitalismo.

Ouvi numa aula de geografia que Cuba é um lixo, porque as pessoas não têm dinheiro pra nada lá. Mas, peraí… Elas têm saúde, elas têm educação e elas têm casa pra morar, tudo gratuito e oferecido pelo governo! O que mais elas querem? Pra quê elas precisam ser ricas?

Chegamos a um ponto em que o importante não é o que compramos com o dinheiro, mas apenas termos dinheiro! Isso é necessário? Cabe a cada um chegar a sua conclusão, mas ao menos pense sobre isso…