Arquivo da categoria: Sociedade

A sala de aula ideal

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Sala de aula

“Educai as crianças e não será necessário punir os homens.” (Pitágoras)

Peraí… Como assim educar as crianças?

Minha professora de história, nos últimos cinco minutos de sua aula, jogou uma pergunta à classe: Como deveriam ser as aulas de história? Enquanto uma grande parte dos alunos conversava, várias pessoas se manifestaram e sugeriram idéias diferentes. Fiquei a pensar: como contentar a todos? Como, afinal, seria uma sala de aula ideal?

Após a primeira reflexão, discuti com a professora como é complicado dar aula para uma sala. Existem vários tipos de aluno e cada um está na escola por um motivo e objetivo diferente (entre aqueles sem objetivo). Como juntar todos os alunos, ensiná-los do mesmo modo e avaliá-los da mesma forma? Como é possível dar aula para 40 pessoas tão diferentes uma da outra?

Na verdade o sistema da escola, a maneira como ela é uma obrigação (e as pessoas são empuradas para ela), a avaliação, a nota, o ensino, a juventude e suas metas (ou falta de metas)… tudo torna o processo educativo muito complicado. E ainda há duas questões de extrema importância: o porquê de educar e se realmente todos precisam saber do conteúdo.

Concluí que ninguém deveria estar numa instituição que prega que todos que têm a mesma idade são obrigados a aprender o mesmo conteúdo, no mesmo período, da mesma maneira e serem avaliados igualmente. E sim, eu sei que isso é uma máxima “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Mas mais do que isso, algumas pessoas em especial eu acho que não deveriam estar na escola. Há muita gente com dificuldade de concentração e de aprendizagem do conteúdo escolar…

Seriam eles inferiores? Creio que essa mentalidade está presente na construção da nossa sociedade. Porém, na minha opinião, nem todos nascem para o meio acadêmico e é para ele que a escola forma. Algumas pessoas (e não são nem um pouco inferiores por isso) têm outro jeito e deveriam ser tratadas de outra maneira. É uma pena que todos sejam mandados pro mesmo lugar e tratados como iguais. A igualdade nem sempre é boa, aliás, quase nunca.

Mas refletindo somente sobre a pergunta da Caroline individualmente e de maneira muito egoísta, resolvi que a melhor maneira de eu aproveitar as duas horas e meia semanais de história que temos (três aulas de cinqüenta minutos) é:

  1. Segunda-feira: discussão cultural-filosófica do conteúdo que todos pesquisaram e estudaram final de semana.
  2. Terça-feira: prova sobre o conteúdo que todos estudaram no final de semana e discutiram segunda-feira.
  3. Quarta-feira, quinta-feira: não tem aula de história. A professora corrige a prova.
  4. Sexta-feira: a professora entrega da prova, há uma socialização dos resultados e uma discussão para fechar o conteúdo. Tarefa para segunda-feira: pesquisar sobre um novo conteúdo (professora sugere um tema).
  5. Sábado, domingo: Alunos pesquisam e aprendem sobre o tema que a professora passou.

Já sobre a escola como um todo, sua obrigatoriedade, sua divisão por matérias e por idade, etc. é preciso um outro post, muito maior. Assim que Éris me inspirar escreverei sobre isto.

Percepção de beleza

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.


Assista no Youtube ou baixe em AVI. Esse vídeo foi sugerido por Héliton Nordt.

No wonder our perception of beauty is distorted.

Briga de rua

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 11 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Briga

Fim da tarde… Cruzando de carro a Av. Sete de Setembro com a Rua Gil Stein Ferreira uma reunião enorme de pessoas me chamou a atenção. Cerca de 100 meninos e meninas formavam uma circunferência com uns 5 metros de raio; no centro dois moleques brigavam.

A roda gritava, empolgada. A violência estava deixando todos eles felizes, provavelmente todos eles odiavam as crianças que sairiam dali totalmente quebradas.

Em pleno centro da cidade, haviam várias pessoas passando e percebendo a tragédia: alguns continuavam seu caminho, outros paravam para observar melhor, ninguém fazia nada.

Seria hipócrita condenar o povo que não se mexia e alguns até assistiam o espetáculo. Eu e minha família, afim de não perder a hora do café, continuamos no carro a caminho de casa.

Que calor!

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Aquecimento global
Nosso planeta vai derreter…

A mudança climática global está acontecendo mais rápido do que era previsto e o impacto é pior do que o esperado, segundo informações da segunda parte de um relatório da Organização das Nações Unidas ainda não publicado, mas que o site Spiegel Online teve acesso. Nenhuma região do planeta será poupada e algumas serão especialmente atingidas.

Segundo o documento, a influência humana nos últimos 30 anos teve um efeito perceptível em muitos sistemas físicos e biológicos, escreveu o autor da segunda parte do Relatório de Mudanças Climáticas 2007, ainda não publicado.

O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC na sigla em inglês) está convencido de que o aquecimento global já está fazendo o planeta suar. A segunda parte do relatório será apresentada apenas em abril, em Bruxelas, após as discussões finais com representantes de governos de todo o mundo. O estudo deve ter um grande impacto político no debate em andamento sobre a mudança climática.

Notícia completa: Impacto da mudança climática é maior que imaginado

Os conservadores estadounidenses continuam a defender que o efeito estufa não tem nada a ver com o aquecimento global. Concordo com eles que é verdade que não é o Efeito Estufa que colabora para o aquecimento global. Mas dizer que o efeito estufa não colabora para o aquecimento global contraria o que eu já aprendi em física sobre passagem de calor.

Segundo os direitistas, a liberação dos gases é só boa para a evolução e não é ruim para ninguém. Na visão da política imperialista que não está nem aí pro futuro (ou será que realmente ela acredita no que fala e contraria as leis da física?), o importante é a expansão e o desenvolvimento – e foda-se o resto.

Os Estados Unidos são responsáveis por 25% das emissões de gás carbônico do mundo, mesmo só tendo 5% da população do mundo. Acreditando que o efeito estufa é fantasia e que o mundo nunca acabará, eles se recusaram a assinar o Protocolo de Kyoto e ainda influenciaram outros países, como a Austrália, a fazer o mesmo.

Bush e o Protocolo de Kyoto
In God we trust

Como disse o presidente venezuelano Hugo Chávez, os políticos americanos põe o mundo inteiro em risco.

Porém, a Caroline está certa. Infelizmente não adiantam manifestações e nem mesmo escrever sobre isso. Os nossos colegas da Casa Branca não estão nem aí pra nós. Pelo menos já que o aquecimento global é um problema de todos, nós também podemos fazer algo pra mudar esse quadro. O Greenpeace traz sugestões muito interessantes que gostaria de compartilhar com vocês:

  • Economize energia elétrica: não guarde alimentos quentes na geladeira, use lavagem a frio na máquina de lavar, troque lâmpadas incandescentes por fluorescentes;
  • Dispense sempre que puder os saquinhos plásticos, e quando não for possível, reutilize-os para armazenar o lixo;
  • Separe os materiais recicláveis e incentive a coleta seletiva no seu condomínio, bairro ou cidade;
  • Use sempre materiais de limpeza biodegradáveis;
  • Ao comprar produtos de madeira, verifique sempre a origem e exija o selo FSC;
  • Peça e ofereça carona, além de divertido, você contribui para diminuir a poluição.

Tudo isso é possível, nada disso é complicado e nada disso nos custará muito. O que vocês acham de adotar essas medidas? Quem sabe assim conseguimos evitar uma realidade que realmente parece fantasia:

A Organização das Nações Unidas estima que 150.000 pessoas morrem anualmente por causa de secas, inundações e outros fatores relacionados diretamente ao aquecimento global. Estima-se que em 2030, o número dobrará.

Além do óbvio

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Garotas libanesas ricas

Segundo o Word Press Photo, um grupo de garotas libanesas ricas passeando com um carro conversível por um bairro destruído por um bombardeio israelense.

Encontrado no Bender Blog.

Descriminalização do aborto

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Aborto

Lendo o FYI, tive vontade de escrever sobre o tema. Lembro que fiz uma dissertação sobre o aborto pra professora de biologia no ano passado. Na época, após pesquisar melhor sobre o assunto, cheguei a conclusão que o aborto deveria ser legalizado, mas não deveria ser realizado.

O aborto voluntário é legalizado na maioria dos países desenvolvidos. No entanto, muitos países continuam a possuir leis que proíbem a interrupção da gravidez. É o caso do Brasil, onde o aborto só é permitido em casos de risco de morte para a gestante ou em casos de estupro.

O aborto realizado de forma ilegal é muito perigoso para a gestante. Ele é feito em clínicas clandestinas e pela própria mulher, usando materiais inadequados e sem higiene. Esses métodos põe em risco a vida e a saúde da gestante. Descriminalizar o aborto não é incentivar a sua prática, mas permitir que todas as mulheres que tomem essa difícil decisão possam realizá-lo com condições de higiene e segurança.

A interrupção da gravidez é um tema polêmico porque envolve aspectos éticos, sociais e religiosos. Não vejo o aborto como um assassinato, mas pouco importa o que eu acho, já que a decisão é da mulher. Por isso, creio que ele não deve ser ilegal. Acredito que a mãe deva ter o direito de não botar no mundo um filho que ela não deseja e que pode ter uma vida pior do que simplesmente não nascer.

Ainda mais que, se a mãe quiser abortar mesmo um filho, não é a lei que vai impedí-la.

E vocês, o que acham?

Yankee imperialist, go home!

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Bush caused September 11

[…] o senhor Presidente [Bush] veio lhes falar, assim o disse: “Hoje quero falar diretamente às populações do Oriente Médio, meu país deseja a paz…”. Isso é certo. Se nós andamos pelas ruas do Bronx, se nós andamos pelas ruas de Nova York, de Washington, de San Diego, da Califórnia, de qualquer cidade, de San Antonio, de San Francisco, e perguntamos às pessoas nas ruas, aos cidadãos estadunidenses. Este país quer paz. A diferença está em que o governo deste país, dos Estados Unidos, não quer a paz, quer nos impôr seu modelo de exploração e de saque, e sua hegemonia na base das guerras.

(discurso de Hugo Chávez na ONU em setembro de 2006)

Não é um discurso novo, mas por sugestão da Caroline eu acabei de ler e adorei. Inclusive me deu vontade de ler o livro de Noam Chomsky.

Nos links abaixo você pode ler o discurso de Chávez na íntegra:

Vale a pena também ler este excelente artigo da Cabala sobre os estadounidenses: Hitler era um cara legal ou realidade para otimistas idiotas

O país que se diz o mais democrático do mundo é o máximo. As idéias da ONU são lindas, mas o seu poder é nulo (os EUA fazem o que eles quiserem). Os EUA usam a ONU para proibir os outros países de fazer coisas que eles fazem sem a permissão de ninguém. Aí acontecem os genocídios, como as bombas nucleares no Japão e as guerras no Oriente Médio.

Nós, enquanto povo, não temos poder nenhum. Essa história de democracia = demo + cracia = poder do povo é uma piada pouquíssimo engraçada, que não cola. Enquanto os governantes do resto do mundo não se revoltarem contra o imperialismo norte-americano e assumirem uma postura como a de Chávez, não haverá mudanças. E isso é ridículo, porque os EUA, além de destruírem culturas, estão destruindo nosso planeta.

Alguma idéia?

Mude-se para o mundo virtual

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Second Life

O meu irmão foi assaltado ontem lá em Campinas. Um dia depois daqueles caras me abordarem aqui em Itajaí, um cara ameaçou espancá-lo porque ele não seguiu o meu conselho: não saia de casa. Ou saia em gangues e faça uma cara de mau pro assaltante pensar que vocês é que vão assaltá-lo.

Nós estamos vivendo num mundo absurdo. Não sei se isso só acontece no Brasil, não sei se no mundo inteiro. Dá vontade de fazer como o Rafael sugere: juntar um bom dinheiro e sair do país. Aqui no nosso país, no nosso mundo, no nosso universo… seja lá onde for, mas infelizmente no lugar onde eu estou, é impossível viver. As pessoas machucam umas as outras por dinheiro, por celulares que provavelmente serão convertidos em narcóticos, qual o sentido em tudo isso?

Como solução utópica precisamos aprender a viver dentro de casa. O Second Life parece-me um lugar bem mais tranqüilo para se estar. A saída para não sermos assaltados é construirmos todas as nossas relações no mundo virtual, porque o mundo real já está tomado e creio que os seus donos não sejam os que acessam a internet.

Aí, quem sabe daqui a uns anos, esses moleques assaltantes de hoje vão ter sumido, porque não vão ter a quem roubar até lá e com isso não sobreviverão. Aí a lei de Darwin estará a nosso favor: os mais ricos sobrevivem e não a favor deles: os mais fortes (?) sobrevivem.

Que situação ridícula. Sinto-me como se estivesse proclamando: “Burgueses de todo mundo, uni-vos!”

Não saia de casa

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Manifesto pela paz

Itajaí durante feriados é vazia. Eu andei mais de três quilômetros de manhã e não vi civilização, ninguém andava na rua a não ser bêbados. Tudo está fechado. Cheguei à casa da Carol. Resolvemos almoçar no shopping. A casa da Carol fica a cerca de 300m do shopping. Quando estávamos já a uns 50m do shopping, na frente da Vanel, aconteceu a inspiração desse post. Três moleques fumando, de bicicleta, nos observavam e então pararam para combinar alguma coisa. Eu percebi que aquela parada não foi uma parada “normal”.

– Carol, aqueles caras querem alguma coisa com a gente.
– Parece que eles querem nos assaltar.

O que poderíamos fazer nesse momento? Depois, no shopping, pensamos que poderíamos ter corrido. Estávamos muito perto do shopping e os caras não iriam se arriscar. De qualquer maneira, continuamos andando, não sabíamos o que fazer. Dez segundos depois os caras vêm na nossa direção. O “líder” pára com a bicicleta na nossa frente e segura a minha camisa:

– Passa o celular. Quero só o celular. – e eu dei ao moleque meu celular de cinco anos. Ele e seus dois amigos iam saindo de bicicleta, mas ele voltou para jogar o celular de volta. Deve ter pensado “Essa coisa velha não deve valer nada”

Os três saíram correndo, o líder falou algo do tipo “Dessa vez passa playboy!”, não pensamos em nada muito interessante pra fazer. Também… Fazer o quê? Eles nem roubaram nada. No fim, fiquei com pena dos caras. Eles devem ter se concentrado ali no canto pra combinar o assalto, etc e tal e depois de toda aquela preparação eu não tinha nada pra dar pra eles.

E depois… Eles foram muito bondosos. O celular não valia nada pra ele, mas ele poderia ter levado para jogar fora depois ou pra tentar vendê-lo. Em vez disso ele voltou para me devolver o celular (na verdade jogar no chão, mas anyway…)

Terceira vez que sou assaltado em Itajaí (ok, a segunda não foi bem um assalto, o cara só levou minha bicicleta sem eu estar presente).

Quando você é assaltado, você fica tenso. Uma pessoa te ameaçar, segurar sua camisa, mandar você passar o seu celular pra ela… definitivamente não é uma sensação muito boa. De qualquer maneira, pelo menos ganhamos um post e ele não levou nada. Só conseguiu fazer com que ficássemos com medo de voltar pra casa.

Andar na rua é muito perigoso. As pessoas são muito violentas. Pra terminar redações a minha professora de português ensinou que eu preciso sugerir alguma coisa para mudar essa situação. Na falta de idéias, vou deixar esse texto assim mesmo pra vocês comentarem.

Opinião pública

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Encontrei esta passagem de Goethe no estrategema 30 do excelente “A arte de ter razão”.

Dico ego, tu dicis, sed denique dixit et ille:
Dictaque post toties, nil nisi dicta vides.

Ou para os ignorantes entre nós que não lêem latim:

Eu o digo, tu o dizes, mas, ao final aquele também o diz:
Depois que o disseram tantas vezes, não se vê outra coisa a não ser o que foi dito.

Lido durante a aula de matemática…