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O deus dólar

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

[…] Havia nascido o deus dólar. A riqueza e a opulência, a fortuna e o impulso desenfreado abriram caminho, nos anos seguintes, para o imperialismo do dólar. Os antigos ideais de liberdade, de dignidade humana e de democracia ficaram restritos às flores da retórica, ao espírito dos missionários puritanos e às exigências impotentes dos pensadores, enquanto a classe dominante dos milionários, dos banqueiros, dos reis da indústria e dos patrões dos trustes, comandados pelo tráfico de influências políticas e capitalistas, exibia descaradamente todo o poder de que desfrutava no mundo. E, como sucede em qualquer processo político, essa alteração da sociedade norte-americana desenvolvera-se ao longo de várias décadas, no relativo isolamento de um país em formação antes de se ter imposto, claramente à consciência mundial.

John Davison Rockefeller

Charge do magnata do petróleo John Davison Rockefeller (1839-1937) que, consciente de seu poderio econômico, considera os poderes públicos dos Estados Unidos como meros brinquedos em suas mãos.

Será que hoje vivemos num mundo muito diferente? Tenho a impressão de que esse deus ainda não morreu. Aliás, ele nem é da sua época, Nietzsche.

Bram Mooleenar vs. Bill Gates

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

A maioria das pessoas que ouvem “software livre” ou “free software”, se é que já viram esse termo antes, imaginam um programa de computador gratuito. A filosofia por trás do software livre vai muito além disso, mas não é meu objetivo nesse post falar dela. Meu objetivo é falar sobre o projeto de Bram Mooleenar, criador e mantenedor de um dos editores de texto para programadores mais populares do mundo, o Vim.

Bram criou uma organização não-governamental para ajudar as crianças que sofrem com o alto índice de HIV no sul da Uganda, na África. Ele desenvolve o Vim a troco de doações para esta fundação, a ICCF.

The south of Uganda has been suffering from the highest HIV infection rate in the world. Parents die of AIDS, just when their children need them most. An extended family can be their new home. Fortunately there is enough food in this farming district. But who will pay their school fees, provide medical aid and help them grow up? That is where ICCF Holland helps in the hope that they will be able to take care of themselves, and their children, in the long run.

98% do dinheiro doado para o desenvolvimento do Vim vai para a ICCF ajudar crianças pobres da Uganda. Bram Mooleenar não é nem milionário, ele desenvolve um excelente editor livre para todo mundo, de graça e nem as doações dos usuários satisfeitos com o Vim vão pra ele!

Enquanto isso, o bilionário Bill Gates é premiado e agraciado por ser o “cidadão solidário”: cobra um absurdo em seus programas falhos que não podem ser adaptados para uso especial e doa menos de 5% de sua fortuna para a sua fundação depois de anos de ganância e com uma grana que ele nunca conseguiria usar de qualquer maneira.

Bill Gates

Ótimo… Eu não entendo mais nada.

John Chow é O Cara!

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

John Chow é um blogueiro que está ganhando bem, talvez o suficiente pra viver de um blog. Ele conta em seu blog que ganhou US$ 355 em setembro, US$ 1362 em outubro e US$ 2140 em novembro. Mas John é um sujeito caridoso e ele escreveu que nunca foi sua intenção fazer dinheiro com o blog:

I have decided to donate the income from the blog to my church and other charities. John Chow dot Com is my personal blog and making a profit from it just seems strange to me. Please note, I am not downing anyone who makes money off his or her personal blog – I think that is great.

Então, ele doou US$ 2000 para instituições de caridade e igrejas, para ajudar as pessoas e promover o natal de centenas de pobres.

Assim como o Rafael, não sei o que dizer. Achei que não existissem pessoas assim no mundo. A minha hipocrisia não me permitiria fazer isso com o meu dinheiro.

A atitude de John Chow foi bonita, digna de um louco! :-) Se todos fossem iguais a ele, nosso mundo seria melhor. Ou não? Disse o Rafael na resposta de um comentário que eu coloquei no site dele:

Trabalhamos e temos uma recompensa que é o dinheiro com a qual conseguimos as coisas.

É uma lógica totalmente capitalista e é corretíssima dentro do nosso sistema. Mas será que é certa? Será que podemos/devemos ser diferentes de todo o resto da sociedade?

What would you do for a PS3?

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

O que você faria por um PlayStation 3? Espere! Não responda agora!

Tem gente que daria o próprio filho em troca do novo videogame da Sony – muita gente. Foi o que descobriu a rádio KDWB-FM de Minneapolis, Minnesota. Semana passada o apresentador Dave Ryan tentou fazer o que, a um jornal local, chamou de “experimento social”. O radialista prometeu um PS3 a pais que abrissem mão dos seus bebês por 24 horas.

“Recebemos mais ligações do que conseguíamos comportar”, conta. “Eles se enfileiraram, loucos para entregar seus filhos em troca de um c* de um PlayStation.” Segundo Ryan, pouco perceberam se tratar de uma brincadeira. Bebês de todas as idades – inclusive de dois dias a uma semana de vida – foram ofertados, ao vivo, no programa. Uma mulher chamada Katie estava tão desesperada por um PS3 que ofereceu o filho por três dias. Ela disse que queria vender o console do eBay para engordar a receita do fim de ano. O bebê tem um mês de idade.

Mas tem mais. Quando Ryan disse no ar que tudo não passava de brincadeira, Katie ligou de novo para a rádio. “Ela disse ‘Então quer dizer que não vou ganhar o PlayStation?’ Eu pensei que ela era bem burra, mas não queria que se sentisse mal. Disse ‘Olha, você não foi a única que caiu na brincadeira. Mas, ao mesmo tempo, pense que essas são as suas crianças, os bens mais preciosos que vocês terão na sua vida. Tenham cuidado’.”

Saiu no Omelete e no Cabala 1001 Gatos de Schrödinger. Um vídeo do programa pode ser acessado aqui.

É triste ver a que ponto o homem chega. Pais e mães estão querendo trocar seus bebês por um videogame! O capitalismo é um mal? O capitalismo tem limite? E o mais importante: o que é importante?

Vamos discutir? Este blog quer ser um espaço para debate de idéias, não quer apenas monólogos chatos de seus autores. Comentem!

A necessidade de ter dinheiro

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Em todo o mundo, nesse período de dois anos, Antonio Mugica faturou US$ 500 milhões.

“Isso não é nada”, diz ele a Terra Magazine, na manhã desse domingo, num salão do Hotel Tamanaco, onde se hospeda. Camisa cinza sem gola, blazer e calça pretos, barba por fazer, Mugica, emenda:

– …não é nada porque só os dois criadores do Google valem, cada um deles, US$ 14 bilhões.

(Antonio Mugica, criador da urna eletrônica usada nas eleições presidenciais da Venezuela, em entrevista à Terra Magazine)

Ganhando US$ 250 milhões por ano, esse cara faz parte do grupo seleto do 0.001% mais rico da população mundial (calculado aqui). Isso não é nada porque só os dois criadores do Google valem, cada um deles, US$ 14 bilhões? Só pode ser algum tipo de piada bem sem graça que eu não consegui entender…

Ele não disse que não valia nada porque com essa grana ele não conseguia fazer alguma coisa, mas simplesmente porque tem gente que tem mais. Ele quer ser o mais rico independente de o que vai fazer com esse dinheiro! É triste parar pra refletir e chegar a conclusão de que é assim em todo o mundo: a ambição, o consumismo e a necessidade de ter dinheiro são problemas clássicos do mal vicioso, promovidos principalmente pelo capitalismo.

Ouvi numa aula de geografia que Cuba é um lixo, porque as pessoas não têm dinheiro pra nada lá. Mas, peraí… Elas têm saúde, elas têm educação e elas têm casa pra morar, tudo gratuito e oferecido pelo governo! O que mais elas querem? Pra quê elas precisam ser ricas?

Chegamos a um ponto em que o importante não é o que compramos com o dinheiro, mas apenas termos dinheiro! Isso é necessário? Cabe a cada um chegar a sua conclusão, mas ao menos pense sobre isso…