Tiago Madeira

Pensamentos aleatórios

Em defesa dos algoritmos

Est√£o transformando “algoritmo” num termo pejorativo e usando ele de forma muito esquisita. Acabei de ler, numa mat√©ria do G1, sobre um programa de computador “sem algoritmos”.

Um algoritmo nada mais √© que uma sequ√™ncia de opera√ß√Ķes bem definida. √Č um procedimento que em geral recebe uma entrada, faz um monte de coisas com ela e devolve uma sa√≠da.

A ci√™ncia da computa√ß√£o √© fundamentalmente a ci√™ncia dos algoritmos. E, embora os algoritmos n√£o dependam de computadores, os computadores s√£o m√°quinas que realizam opera√ß√Ķes que s√£o formalizadas por meio de algoritmos, de forma que √© dif√≠cil imaginar um programa de computador sem algoritmos.

Um exemplo de algoritmo √© o algoritmo de Euclides, de 300 a.C., que encontra o m√°ximo divisor comum entre n√ļmeros inteiros tomando o resto da divis√£o de um pelo outro sucessivamente.

Nos √ļltimos anos, a palavra “algoritmo” est√° muito relacionada ao Facebook — como se v√™ nessa mat√©ria do G1. Isso porque o Facebook usa um algoritmo de aprendizado de m√°quina para definir as publica√ß√Ķes que cada pessoa v√™ no seu feed de not√≠cias e a ordem em que essas publica√ß√Ķes aparecem. O Instagram tamb√©m usa um algoritmo pro mesmo prop√≥sito, mas n√£o parece ser t√£o odiado.

As cr√≠ticas sobre o Facebook seriam mais √ļteis se fossem dirigidas ao seu modelo de neg√≥cios, √† bestifica√ß√£o das redes sociais, ao monop√≥lio, √† coleta de informa√ß√Ķes em massa e √† cultura da p√≥s-verdade, n√£o √† exist√™ncia de algoritmos. Da forma que t√™m sido feitas, escondem num jarg√£o pretensamente t√©cnico decis√Ķes que s√£o tomadas para maximizar lucros mantendo pessoas dentro da plataforma compartilhando coisas, vendo e clicando em publicidade. Ou seja, se fala de “algoritmo” em abstrato mas acaba n√£o se falando de qual algoritmo, isso √©, do filtro do Facebook e com que interesses ele √© desenvolvido.

Por fim, com WhatsApp Business, API oficial e sa√≠da de Jan Koum, eu chutaria que o WhatsApp vai estar tamb√©m cada vez mais sujeito a “algoritmos” — ou, sem mistifica√ß√£o, interesses comerciais.

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