Arquivo mensais:março 2010

Estatísticas de browsers em três sites

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Fui ver como estavam as estatísticas de uso do Internet Explorer nos meus sites com esperança de ver seu uso reduzido a ponto de eu não precisar me preocupar com ele no desenvolvimento web. Infelizmente, meus números confirmaram que a maioria da população leiga ainda utiliza o IE e, pior, uma parte considerável ainda usa a versão 6, que não é digna nem mesmo de ser chamada de navegador nos dias de hoje. Abaixo os dados:

Um site com público nem um pouco nerd

Browser stats

Quase dois terços da população (considero essa amostra aleatória) usa IE!

Meu site de Algoritmos (algoritmos.tiagomadeira.net)

Browser stats

Metade dos visitantes usa IE e metade usa coisa melhor. O site é de algoritmos, que é um objeto de estudo praticamente exclusivo de cientistas da computação. Não é uma estatística nojenta?

Este blog (um reduto?)

Browser stats

Tenho aqui a melhor estatística (o que é bem legal, porque mostra que gente inteligente ;P — independente de gostar de computação, já que a maioria de meus posts não é nerd — não usa mais IE), ainda assim 32.08% dentre meus visitantes não me permite usar HTML 5 e CSS 3 por aqui.

E quanto à versão dos Internet Explorers utilizados?

Aí os três sites apresentam resultados semelhantes. Uns 60% usam IE8, 25% IE7 e 15% IE6:

Browser stats

Browser stats

Browser stats

Ah, mas o IE 8 é bom…

É bom em relação aos outros Internet Explorers, mas é equivalente a um Firefox muito velho. Ainda está muito atrás dos novos Chrome, Firefox, Opera e Safari no suporte a HTML 5 e CSS 3, que são tecnologias que os desenvolvedores poderiam usar pra tornar a web mais rápida e bem feita. Veja esta checklist de propriedades do HTML 5 e do CSS 3 e como anda seu suporte pelos navegadores.

Além disso, é de código fechado, é mantido pela Microsoft (que é uma empresa que não é nem um pouco confiável), passa muito tempo sem atualizações por mais que sempre surjam falhas de segurança e nem se compara a um Firefox em recursos como plugins e temas.

Por fim, por tudo isso, faço um apelo: para tornar a web melhor, se você usa IE, troque de navegador. É rápido, simples, gratuito e você só tem a ganhar em segurança, velocidade, recursos e estabilidade. Recomendo meus dois preferidos, ambos de código aberto:

O utente da indústria do transporte (mais Illich)

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

“Dado o seu impacto geográfico, a indústria do transporte modela, em definitivo, uma nova espécie de homens: os utentes. O utente vive num mundo alheio ao das pessoas dotadas da autonomia dos seus membros. O utente tem consciência da exasperante penúria de tempo provocada pela corrida quotidiana ao comboio, ao automóvel, ao metro, ao ascensor, que o transportam diariamente através dos mesmos canais e túneis num raio de 10 km a 25 km. Conhece os atalhos encontrados pelos privilegiados para escaparem ao exaspero engendrado pela circulação e que os conduzem aonde querem chegar, enquanto ele, o utente, tem que conduzir o seu próprio veículo de um lugar, onde preferiria não viver, para um emprego que preferiria evitar. O utente sabe-se limitado pelos horários dos comboios e autocarros, nas horas em que a sua mulher o priva do automóvel, mas vê os “executivos” deslocarem-se e viajarem pelo mundo quando e como muito bem lhes apetece. Paga o seu automóvel com dinheiro do seu bolso, num mundo onde os privilégios cabem ao pessoal dirigente das grandes firmas, universidades, sindicatos e partidos. Os pobres amarram-se ao seu carro, e os ricos utilizam o automóvel de serviço ou alugam-no à Hertz. O utente exaspera-se com a crescente desigualdade, a escassez de tempo e a sua própria impotência, mas, insensatamente, põe a sua única esperança em mais da mesma coisa: mais circulação por meio de mais transporte. Espera o alívio através de modificações de ordem técnica que hão-de afetar a concepção dos veículos, das estradas ou da regulamentação do trânsito. Ou então espera uma revolução que transfira a propriedade dos veículos para a coletividade e que, por meio de descontos nos salários, mantenha uma rede de transportes gratuitos, cujas seções mais velozes e caras serão outra vez apenas acessíveis àqueles a quem a sociedade considere mais importantes. Quase todos os projetos de reforma dos transportes que se supõem radicais padecem deste prejuízo: esquece-se o custo em tempo humano que resultaria da substituição do atual sistema por outro, mais “público”, se este último for tão rápido como o outro.

À noite o utente sonha com aquilo que os engenheiros lhe sugerem durante o dia através da televisão e das colunas pseudocientíficas dos jornais. Sonha com redes estratificadas de veículos de diferentes velocidades que convergem em interseções onde as pessoas podem encontrar-se nos espaços que lhes são concedidos pelas máquinas. Sonha com os serviços especiais da “Rede de Transportes” que dele se encarregarão definitivamente.

O utente não pode captar a demência inerente ao sistema de circulação baseado principalmente no transporte. A sua percepção da relação do espaço e do tempo tem sido objeto de uma distorção industrial. Perdeu a capacidade de se conceber como outra coisa que não seja um utente. Intoxicado pelo transporte, perdeu consciência dos poderes físicos, sociais e psíquicos de que o homem dispõe, graças aos seus pés. Esquece que o território é o homem que o cria com o seu corpo e toma por território aquilo que não passa de uma paisagem vista através de uma janela por um homem amarrado ao seu banco. Já não sabe marcar o âmbito dos seus domínios com o rasto do seus passos, nem encontrar-se com os vizinhos, passeando na praça. Já não se encontra com outro sem chocar, nem chega sem que um motor o arraste. A sua órbita pontual e diária alheia-o de todo o território livre.

Atravessando-o a pé o homem transforma o espaço geográfico em morada por ele dominada. Dentro de certos limites, a energia que aplica para se movimentar determina a sua mobilidade e a sua capacidade de domínio. A relação para com o espaço do utente de transportes é determinada por uma força física alheia ao seu próprio ser biológico. O motor mediatiza a sua relação com o meio ambiente e depressa o aliena de tal modo que depende do motor para definir o seu poder político. Ele que está condicionado a crer que com eles aumenta a capacidade dos membros de uma sociedade para participarem no processo político.

Nas suas reivindicações políticas o utente já não pede caminhos abertos, mas sim mais veículos que o transportem; quer mais daquilo mesmo que agora o frustra, em vez de pedir a garantia de que, em todos os sentidos, a prioridade caiba sempre ao peão. A libertação do utente consiste na sua compreensão de realidade: enquanto exigir mais energia para propulsionar com mais aceleração alguns indivíduos da sociedade, precipita a corrupção irreversível da equidade, do tempo livre e da autonomia pessoal. O progresso com que sonha não é mais do que a destruição melhor conseguida.”

Ivan Illich, “Energia e Equidade” (dezembro/1973), página 40 na tradução da Editora Sá de Costa (1ª edição, Portugal, 1975)

E com isso vou parar de copiá-lo, antes que copie o livro inteiro, que é excelente. Recomendo a quem se interessar que procure em bibliotecas ou em sebos.

Excerto de Illich sobre o transporte em 1973

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

“O homem americano típico consagra mais de 1500 horas por ano ao seu automóvel: sentado dentro dele, em marcha ou parado, trabalhando para o pagar, para pagar a gasolina, os pneus, as portagens, o seguro, as multas e os impostos para as estradas federais e os parques de estacionamento comunais. Dedica-lhe quatro horas por dia, nas quais se serve dele, se ocupa dele ou trabalha para ele. Não se levaram aqui em conta todas as suas atividades orientadas pelo transporte: o tempo que consome no hospital, no tribunal ou na oficina; o tempo passado diante da televisão a ver publicidade automobilística, o tempo gasto em ganhar dinheiro para viajar de avião ou de comboio. Com estas atividades faz, sem dúvida, marchar a economia, procura trabalho para os seus companheiros, receitas para os xeiques da Arábia, e dá justificação a Nixon para a sua guerra na Ásia. Mas se nos perguntarmos de que modo aquelas 1500 horas, que são uma estimativa pelo mínimo, contribuem para a sua circulação, a situação apresenta-se-nos sob diferente perspectiva. Aquelas horas servem-lhe para fazer uns 10 000 quilômetros de percurso, ou sejam 6 quilômetros por hora. É exatamente o mesmo que conseguem os homens nos países que não dispõem da indústria do transporte. Mas, enquanto o Norte-Americano dedica à circulação uma quarta parte do tempo social disponível, nas sociedades não motorizadas destinam-se ao mesmo fim entre 3% e 8% do tempo social. O que diferencia a circulação num país rico e num país pobre não é uma maior eficácia, mas sim a obrigação de consumir em altas doses as energias condicionadas pela indústria do transporte.”

Ivan Illich, “Energia e Equidade” (dezembro/1973), página 36 na tradução da Editora Sá de Costa (1ª edição, Portugal, 1975)

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ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Eu saí com um casal de alemães e aprendia sobre a política e a história deles. Ouvi sobre grupos terroristas, o NPD (um partido nazista de lá) e umas brigas políticas semelhantes às dos hooligans. Eles compreendiam e se expressavam bem em português, mas em certo momento trocaram algumas frases no seu idioma, não fiz ideia do porquê.

Então um deles me disse:

— Nós não entendemos por que os brasileiros não se revoltam, não fazem grandes manifestações em Brasília. Aqui tem muita gente passando fome, morando na favela, gente que trabalha um monte a vida inteira e não tem nada. Na Europa fazem revoluções por muito menos.

Não sabia o que responder, então disse o que me veio à mente:

— Acho que somos conformados e felizes com os nossos governos populistas e estamos mais preocupados com o carnaval e com o Campeonato Brasileiro. E, pasmem, essa nossa felicidade é até motivo de orgulho. É propaganda. Mas quem sabe um dia…

PS: A única relação do título desse post com seu conteúdo é a Lei dos Cinco (não que seja pouco). Eu usei esse título porque foi o sugerido pelo WordPress (esse é o post de ID 523 no meu banco de dados).

PPS: Today is Prickle-Prickle, the 1st day of Discord in the YOLD 3176. Feliz Estação Nova!

Passagens em sala

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Entidades estudantis têm como costume passar em salas de aula para espalhar eventos, boletins e campanhas. Tenho certeza que fazem isso com a melhor das intenções e concordo que é fundamental que centros acadêmicos e diretórios centrais de estudantes construam seus projetos com todos os iguais que representam. Porém, após pensar um pouco a respeito, cheguei a conclusão que essa é uma péssima modalidade de divulgação (além de um gasto desnecessário de tempo e papel) e aqui explicarei meus porquês.

Antes de mais nada faço questão de lembrar que isso é um blog, portanto sinta-se livre para discordar através da caixa de comentários ou via trackback. Como me ensinou meu amigo Ibrahim Cesar: “A mídia tradicional manda mensagens. Blogs iniciam conversações.”

Iniciarei contando algo que já aconteceu comigo inúmeras vezes, tanto na UFSC como na USP: (e, de cara, peço desculpas porque sou um péssimo narrador)

Estou assistindo uma aula de Cálculo I e o professor acabou de escolher um estranho epsilon para demonstrar o limite de uma multiplicação. Prova finalizada, estou copiando o teorema e contemplando o quadro para buscar compreender de onde o professor tirou o epsilon. Beto, que esteve do lado de fora da sala aguardando o professor acabar a demonstração, entra animado: “Pessoal, eu sou do DCE. Estou aqui para convidar vocês para …”

Você decide:

Possibilidade #0:

Nem ouço o que ele diz. Termino a cópia da demonstração e guardo o panfleto que Beto entregou no fundo da mochila. Mal Beto deixa a sala, o professor continua a aula como se não tivesse sido interrompido, agora escolhendo um epsilon ainda mais estranho para demonstrar o limite de uma divisão. Um mês depois, encontro um panfleto no fundo da mochila e jogo fora sem nem mesmo ler ao perceber que o ato de uma luta que me interessava aconteceu há quase um mês atrás.

Possibilidade #1:

Ouço o que ele diz, mas não entendo direito a ideia da manifestação. É fato que o rapaz do DCE é muito mais politizado que eu. Se o aviso fosse dado num outro ambiente eu faria uma pergunta, discordaria dele, discutiríamos. Na sala, porém, com sua estrutura autoritária e no meio de uma aula de Cálculo, resolvo ficar calado e continuo sem simpatia nenhuma pelos comunistas do movimento estudantil. Também nem paro direito pra pensar, afinal estou no meio de uma aula de cálculo e meu professor não parou um minuto por causa do recado.

Possibilidade #2:

Eu, que não conheço o movimento estudantil (caso contrário já saberia do ato para o qual o rapaz do DCE está me convidando), presto total atenção nele, simpatizo com a ideia, meu professor debate o tema da manifestação logo que Beto sai da sala e depois da aula vou procurar Beto porque resolvi participar do ato e do movimento estudantil.

Se você acha que a possibilidade #2 ocorre, pode parar de ler esse texto que nossos axiomas são muito diferentes pra chegarmos a alguma conclusão comum (i.e., não vivemos no mesmo mundo).

Fato é que a gestão do DCE do ano passado passou em sala inúmeras vezes e eu só dei alguma atenção ao movimento estudantil depois que o conheci com as minhas próprias pernas ao lado do prédio de Letras, na FFLCH. O que prova que esse modelo de divulgação é incapaz de dialogar comigo e provavelmente com a maioria dos estudantes do meu instituto.

Creio que um convite para um debate não pode ser feito num ambiente de missa como as tradicionais salas de aula (o professor falando e os alunos respondendo “Amém” ou “Graças a Deus”), simplesmente porque não combina. Convites pra discussão precisam ser feitos nos corredores, nos gramados, nos intervalos de aula e por meio de uma conversa saudável e não da imposição de uma programação.

É preciso haver muita motivação para um aluno que não se sente diretamente tocado por uma questão e nunca debateu ela resolva participar de uma entidade por causa de uma propaganda na sala de aula. Uma motivação que não existe no mundo que eu considero real. Por isso, acho que as passagens em sala de aula precisam ser repensadas imediatamente por todos que buscam construir um movimento estudantil mais amplo e democrático.

Perfeitamente

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Se fazem traduções de qualquer tipo de documento seja, textos, artículos, trabalhos, propaganda, cartas, etc. Falo perfeitamente Espanhol Inglês Português. Estudo aqui na USP.

Cópia precisa de um texto que li num ponto de ônibus da Cidade Universitária. Dispensa comentários.

Paradoxo do medo de errar

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 7 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Meu primo tuitou há alguns minutos que “o maior erro na vida é ter medo de errar” e a frase me deixou pensativo.

Suponha que você leia essa frase e resolva “Então, para não errar, não vou ter medo de errar”. Nesse caso você está tendo medo de um erro (o erro seria o medo de errar); absurdo!

Suponha, por outro lado, que você leia essa frase e resolva “Então vou continuar com medo de errar.” Neste caso, você está cometendo o maior erro (sem medo dele), então você perdeu o medo de errar. Absurdo novamente!

Portanto, conclui-se que o maior erro na vida não deve ser o medo de errar. qed.

PS: Perdoem-me por possíveis falhas, tive que escrever correndo para não me atrasar para o tango.