Arquivo mensais:março 2009

Algoritmo da Divisão

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 8 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Warning! Isto não é ficção.

Acabara de provar o Algoritmo da Divisão. Olhou pro quadro maravilhado. Contemplou o seu resultado por quase um minuto. Então, virou para os seus alunos. E disse:

Naquela época as pessoas não usavam roupas. Roupas eram caras, era privilégio da nobreza. Sempre que eu provo este resultado eu imagino Euclides provando-o e correndo aos seus amigos contar: “Descobri o Algoritmo da Divisão! Descobri o Algoritmo da Divisão!” e todos ficando excitados com a descoberta.

A turma do Bacharelado em Matemática Pura, assustada, fingiu que não ouviu. E de repente percebeu pela primeira vez que é compreensível o povo achar que matemática é coisa de gente maluca…

2/22/08
Creative Commons License photo credit: bourgeoisbee

Bacharelado em Ciência da Computação

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 8 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Em primeiro lugar quero afirmar aos desavisados que o curso de Ciência da Computação hoje é, na maioria dos lugares, não mais do que o estereótipo indica: um curso de viciados em jogos. Até aí tudo bem; afinal cada um faz o que bem entende nos seus momentos de lazer.

Porém, eu acho que esse fato colaborou para esse bacharelado se transformar num reduto de usuários de computador, pessoas que leram “Computação” no nome e pensaram: “Eu gosto de mexer no computador, acho que este é o meu curso”.

Our new mobile lab
Creative Commons License photo credit: Christy Tvarok Green

Se já sabemos que funciona, pra que provar?

A realidade que percebo nas turmas, tanto na UFSC quanto no IME-USP, é decepcionante. Quando um professor dá um curso mais forte e teórico, vários alunos se espantam e reclamam que o curso não está formando para a prática. Pior: em muitas universidades o curso está mudando de cara pra satisfazer estes estudantes e não o contrário, como deveria ser. O IME-USP ainda tem um curso excelente, mas advinhe o que os alunos da minha turma aprenderam na primeira matéria do curso (chamada de Introdução à Computação)? Java e programação orientada a objetos. Eles aprendem classes e métodos antes de aprenderem operadores lógicos e laços. Na única aula que fui da disciplina, o professor falava bem do Java porque as classes e métodos podem ter acentos!!!

A situação é tão desanimadora que às vezes penso que o nome do meu curso deveria mudar para não pegar desavisados que não procuram o que é antes de entrar. Deveria ser algo como Bacharelado em Ciência dos Algoritmos, Bacharelado em Matemática Discreta, que tal? Não sei. Mas é obviamente uma besteira: o que precisa mudar são as pessoas. Tanto as que entram no curso, quanto as pessoas em geral, que pedem favores pra cientistas da computação pensando que eles são técnicos de informática. As pessoas precisam entender o que é o curso antes de entrar nele, precisam saber que Ciência da Computação é um ramo da matemática que existe desde muito antes da criação dos computadores digitais.

O primeiro parágrafo do texto da Wikipedia em português sobre Ciência da computação diz (e juro que não fui eu que editei!):

Ciência da computação é o estudo dos algoritmos e suas aplicações, bem como das estruturas matemáticas indispensáveis à formulação precisa dos conceitos fundamentais da teoria da computabilidade e da computação aplicada. Desempenha por isso um papel importante na área de ciência da computação a formalização matemática de algoritmos, como forma de representar problemas decidíveis, i.e., os que são suscetíveis de redução a operações elementares básicas, capazes de serem reproduzidas através de um qualquer dispositivo mecânico/eletrônico capaz de armazenar e manipular dados. Um destes dispositivos é o computador digital, de uso generalizado, nos dias de hoje, pelo custo reduzido dos componentes eletrônicos que formam o seu hardware.

Se o Java já tem um heap implementado para que reinventar a roda?

Edsger Dijkstra, um dos grandes cientistas da computação de nossa história, disse certa vez:

Ciência da Computação está tão relacionada aos computadores quanto a Astronomia aos telescópios, Biologia aos microscópios, ou Química aos tubos de ensaio. A Ciência não estuda ferramentas. Ela estuda como nós as utilizamos, e o que descobrimos com elas.

Precision knob?
Creative Commons License photo credit: gogoninja

É por tudo isso que abandono a sala ao ouvir que hoje em dia classes são mais importantes do que laços e nomear corretamente funções é mais importante do que conhecer algoritmos. (Sim, já ouvi isso de um professor dentro da universidade.)

Declaro-me a favor de um curso de Ciência da Computação onde os computadores sejam tratados apenas como ferramentas. Há outros cursos (técnicos) para quem não pensa assim e entra na universidade buscando uma formação sobre desenvolvimento ágil e produtividade. Não estou criticando quem busca isto. Porém, na minha opinião, estes definitivamente não deveriam entrar num curso chamado Bacharelado em Ciência da Computação.

Sobre matrizes e mulheres

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Um grande professor de Álgebra Linear, num momento muito inspirado, certa vez disse à minha turma que matrizes são como mulheres. Afinal, (sic) pode-se fazer tudo com elas: somar, subtrair, multiplicar e mais uma porção de coisas.

No início desta semana reassisti Uma mente brilhante e lembrei-me dele. Num dos lances mais interessantes do filme, John Nash de certa forma coloca as mulheres numa matriz de payoffs afim de desenvolver o Equilíbrio de Nash:

Genial.

3%

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Um de meus melhores professores conta que há muito tempo atrás houve um professor na UFRGS que, inconformado com a dificuldade de concentração de sua turma, parou de escrever no quadro por um tempo, virou-se para os seus alunos e disse:

As estatísticas mostram que apenas 3% de vocês vai aproveitar este curso. Ah, se eu soubesse quem são os 3% para dar aulas apenas para esses…

Fica a dica: Se você leciona ou for lecionar um dia e não aguentar a turma, esqueça os 97% e concentre-se em dar uma boa aula para os 3%. Você pode não vê-los, mas eles estão lá.

Day 7
Creative Commons License photo credit: bjmcdonald

Sobre forma e conteúdo

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Eu sempre cuidei do design mais do que do conteúdo do blog. Aliás, no 1001 Gatos de Schrödinger esta ficou sendo praticamente a minha única função, já que eu pouco postava. É fato que me divirto escrevendo XHTML/CSS e gosto de deixar a forma de um site perfeita.

Porém, resolvi mudar. Pela primeira vez lancei um blog (este blog) sem design. Ou melhor, com o tema padrão do WordPress, o que significa da mesma forma sem identidade visual. Confesso que isso me incomoda um pouco, mas foi intencional.

Quando se faz um template para um blog, ele deixa de chamar atenção pelo o que ele realmente é, pelos seus textos. É uma boa maneira de conseguir visitantes, é uma péssima maneira de conseguir leitores.

Por isso este blog não tem um título criativo, nem um slogan, nem um tema bonito. É por pouco tempo, pois quando eu lançar o meu site novo (que está em seus detalhes finais) vou ter que adaptar o template do blog para combinar. Porém, é minha tentativa de, pela primeira vez, não focar na forma, mas no conteúdo.

EGO Show At Gemms
Creative Commons License photo credit: Slightlynorth

Diálogos politécnicos #0

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Warning: Infelizmente o que relatarei nesta série de posts não são piadas. São diálogos que realmente aconteceram nas redondezas da Cidade Universitária.

Dois futuros engenheiros estavam estudando para a primeira prova de Cálculo I:

— O que eu ainda não entendi é o que significa uma função ser limitada — perguntou o primeiro politécnico ao seu colega inteligente.

— Isso é fácil. — responde o segundo, cheio de moral — A função é limitada quando ela tem limite.

Late Night Mathematics
Creative Commons License photo credit: OakleyOriginals

Sobre o blog

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 8 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Mantenho um blog desde 2004. É uma maneira interessante de exercitar a escrita, a criatividade e encontrar pessoas com gostos semelhantes. Já fiz vários amigos blogando. O meu antigo blog chegou a ser o segundo resultado do Google ao procurar por “tiago”. Tive vários leitores. Até que cansei de escrever.

O problema de escrever durante anos no mesmo blog é que o blogueiro muda. Em cinco anos minha forma de pensar e de agir mudou, meus gostos mudaram e por isso não fazia sentido continuar escrevendo naquele blog. Meu jeito de escrever mudou. Foi por isso tudo que cansei de escrever lá.

Além disso, aquele blog virou um espaço de prostituição. Em 2007 houve uma febre de Adsense na blogosfera e todos queriam ter blogs rentáveis. Eu vendi meu blog e me vendi. Faturei (e ainda faturo) uns 50-60 dólares por mês. Não vale a pena se prostituir por tão pouco.

Penso que ainda tenho muito a falar. E que não poderia deixar de escrever. Por isso, resolvi criar este novo blog. Um blog que tem como objetivo não ter publicidade, não ter centenas de milhares de visitantes por dia, mas ser um local onde eu possa escrever sobre as coisas que vejo e conhecer pessoas interessantes.

Para que esta segunda motivação funcione, preciso de seus comentários. Numa web interativa como a que vivemos, não faz sentido você apenas ler o que escrevo. Isso é semelhante a assistir televisão. Aproveite esse espaço para falar. O Ibrahim sempre dizia que a mídia manda mensagens, blogs iniciam conversações. Concordo piamente com ele.

Antes que eu me alongue muito, peço desculpas porque meu português está terrível. Passei o ano passado inteiro estudando matemática pura (apenas definições e teoremas) e lendo livros de análise. A escrita de meus professores me afetou muito e acho que foi negativamente. De fato, até meu vocabulário mudou muito. Talvez este blog me ajude a escrever melhor. Veremos.

Sem mais delongas, seja bem-vindo e sinta-se em casa.