Tiago Madeira

Filosofia Livros

Lewis Carroll é discordiano

Chega de enrolação. Criei coragem para falar e começarei pelo começo, continuarei depois até chegar ao fim e então pararei.

Alice in Wonderland

O Mal Vicioso vem lhes informar por meio deste post que “Alice no país das maravilhas” não é um livro para crianças por ser simples e não fazer sentido algum. Ele é simplesmente brilhante e talvez as crianças sejam as poucas que conseguem compreendê-lo por ainda estarem na ponta dos pêlos do coelho branco.

Qual a relação entre um corvo e uma escrivaninha? Não precisa responder, apenas pense.

O objetivo de Alice não é informar, mas confundir um pouco afim de fazer pensar. A história é uma grande operação mindfuck confabulada em 1894 e provavelmente inspirada pelo posterior Principia Discordia que foi escrito por Mal-2 nos anos 60.

A lógica do autor é absolutamente absurda e os diálogos e poemas nos levam a pensar: afinal, o que é o louco e o que é o padrão?

Nietzsche escreveu em “Além do bem e do mal” que a loucura é algo raro em indivíduos mas que em certas épocas e sociedades é a norma. Talvez nós é que sejamos loucos e os personagens maravilhosos sejam a realidade. Ou talvez sejamos nós os personagens maravilhosos. Quem sabe?

Comentários

Rev. Peterson Cekemp

1) Você leu O Mundo de Sofia? (pelo de coelho) 2) Do jeito que as coisas andam, estou inclinado a aceitar que somos os personagens maravilhosos. Deixa eu conferir meu relógio… Putz. Estou atrasado!

beto

Lewis Carol era o pseudônimo do matemático C. L. Dogson (1832 - 1898) que, além de “Alice no país das maravilhas” se notabilizou como um dos maiores criadores de jogos (puzzles) do século XIX. A lógica matemática pode ser vista no julgamento de Alice, quando não sabia por onde começar o rei dá uma dica: “comece pelo começo…”. Um dos enigmas propostos por Lewis Carol era: “O que você prefere, um relógio parado ou um que atrasa um segundo por hora?” Pense bem. O relógio parado estará certo pelo menos duas vezes por dia, enquanto o outro levará anos para estar certo uma vez no dia.

Tiago Madeira

Sim senhor Rev. Peterson, foi exatamente essa a relação (pra só quem já leu o livro entender mesmo… :) ) A Carol já me questionou com este enigma e eu não soube o que responder. De fato, a lógica de Lewis Carroll é surpreendente. Parece uma lógica irracional, e isso é bem discordiano. hehe

LP

Por sinal, a questão “Qual a relação entre um corvo e uma escrivaninha?” foi uma questão de Lógica Matemática que Lewis nunca conseguiu resolver. Seus textos são cheios de questões de lógicas. Muito bom. Muito mesmo (tanto o livro como o post). Abraços.

Wendel

Na verdade, existem várias versões pra resposta dessa questão do corvo e da escrivaninha Acho que tinha uma que era “both are nevar (sic) backwards” - a escrivaninha nunca (nevar (sic) ) fica de trás pra frente, e o corvo (raven) é nevar ao contrario. Tinha uma outra que funcionava em português: Poe escreveu sobre ambos (Poe escreveu sobre corvos, e muito provavelmente ele colocava o papel sobre uma escrivaninha pra escrever) ah achei! referências na wiki! (procurei depois de escrever acima, rs…) In Chapter 7, the Hatter gives his famous riddle without an answer: “Why is a raven like a writing desk?” Although Carroll intended the riddle to have no solution, in a new preface to the 1896 edition of Alice, he proposes several answers: “Because it can produce a few notes, tho they are very flat; and it is nevar put with the wrong end in front!” (Note the spelling of “never” as “nevar”—turning it into “raven” when inverted. This spelling, however, was “corrected” in later editions to “never” and Carroll’s pun was lost). Puzzle expert Sam Loyd offered the following solutions: * Because the notes for which they are noted are not noted for being musical notes * Poe wrote on both * Bills and tales are among their characteristics * Because they both stand on their legs, conceal their steels (steals), and ought to be made to shut up Many other answers are listed in The Annotated Alice.

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