A culpa é de quem?

ATENÇÃO: Este conteúdo foi publicado há 10 anos. Eu talvez nem concorde mais com ele. Se é um post sobre tecnologia, talvez não faça mais sentido. Mantenho neste blog o que escrevo desde os 14 anos por motivos históricos. Leia levando isso em conta.

Bicicleta roubada. A culpa é de quem? Pense nas alternativas e responda nos comentários:

  • Do filho da puta que roubou a minha bicicleta.
  • Dos pais do cara que roubou a minha bicicleta que não souberam educá-lo ou não tinham condições de tê-lo.
  • Dos políticos que excluíram o cara que roubou minha bicicleta.
  • De toda a sociedade que excluiu o cara que roubou minha bicicleta.
  • Das drogas que fazem pessoas irem à loucura.
  • Da polícia que não está cuidando da segurança dos cidadãos.
  • Minha, que não deveria ter deixado a bicicleta naquele local. Aceite o mundo do jeito que ele é.
  • Minha, que deveria ter saído mais cedo da casa da Carol. O mundo é assim.
  • Minha, que nem deveria andar de bicicleta em Itajaí. É perigoso, não há o que fazer pra mudar isso.
  • Minha, que aliás não deveria nem sair de casa, porque o mundo é assim e pronto.
  • Do meu irmão, que comprou um cadeado vagabundo.
  • Roubar bicicleta não é errado. Posse e propriedade não deveriam existir.

Às vezes eu perco a esperança de transformar as pessoas, mudar as suas mentalidades. Às vezes eu acho que eu estou tentando fazer algo por gente que não merece. Mas aí minha cabeça volta ao lugar e acho que o problema não é do cara que roubou a minha bicicleta, mas de uma porção de erros de todos nós.

A mentalidade do cara que roubou a minha bicicleta é como a minha. A minha bicicleta vale dinheiro, eu preciso de dinheiro. Eu não posso deixar que roubem minha bicicleta pelo mesmo motivo que ele roubou a minha bicicleta.

Não é por isso que eu perdôo ele. A culpa também é dele. No meu mundo utópico as pessoas não precisam de leis, mas respeitam os outros. Roubar a minha bicicleta quando eu vou voltar pra casa às 20h é um desrespeito. Ele rouba sem se preocupar comigo. Eu não faria isso, então a mentalidade dele é podre.

A mentalidade das pessoas não é culpa delas, embora nós sempre achemos e falemos que é. É culpa de quem está perto e ensina as pessoas com exemplos e com a sua própria vida. Não sei a história desse cara, mas acho difícil a culpa ser somente dele.

A minha bicicleta foi roubada por uma série de erros, uma série de problemas sociais, uma série de ações de várias pessoas que contribuíram para o mundo se tornar o que é. Como nós vamos fazer pra mudar isso? Ou é melhor se acostumar com isso e se contentar com o mundo da maneira que é?

E afinal… o que importa de quem é a culpa?

6 comentários sobre “A culpa é de quem?

  1. “A mentalidade das pessoas não é culpa delas, embora nós sempre achemos e falemos que é”

    Por que não?
    Todos os dias vejo varios tipos atitudes, cabe a mim “classifica-las” em certo e errado. Isto é mentalidade, são meus valores morais. Se sofri traumas, como fome, miséria, etc. Tenho a mesma capacidade avaliar uma atitude, devo isto à minha educação; e, mesmo que fosse analfabeto ainda assim teria sido educado (pais, igreja, televisão (!))
    O discernimento constrói sua mentalidade. E todos têm a aptidão para distinguir o certo do errado.
    Assunto do post:
    Assinto sua opinião sobre o motivo de terem roubado sua tão querida bicicleta: “(…) acho que o problema não é do cara que roubou a minha bicicleta, mas de uma porção de erros de todos nós”. Começando pelo voto (viva a inexistente democracia!).

  2. Aprender a lidar com as perdas é um grande desafio. Sempre é complicado, desde perder uma bicicleta ou despedir-se de uma pessoa querida que vai embora.
    Talvez buscar os culpados não seja o melhor caminho…
    Creio que a saída é sempre pelo caminho da Educação. Educação pautada em valores éticos, morais, fraternos, solidários, enfim tudo o que considere e respeite a dignidade humana.
    Educação que não impõe, mas que liberta pelo estímulo à capacidade de pensar.
    Educação que transforma valores em atitudes. Enfim, na verdade o que teria que acontecer é aquele pensamento muito antigo: “não faças para o outro o que não queres que façam contigo.”

  3. LOL…
    a meu… o negocio éo seguinte.. nao desiste, vao no Boca a Boca, alguem conheçe esse kra…roba ele tbm ( risadas..)
    Nao, nao o Roube…mas é isso ae, p/ chegar ateh ele é facil, e quem comprou, nao deve estar muito longe SAKA??

    um Grande abraço, e boa Sorte….

  4. Legal seu raciocinio Thiago,só queria acrescentar que a mentalidade das pessoas,
    que passam necessidades as vezes as obriga a tomar certas atitudes que julgamos serem erradas.Nós julgamos errado, mas um pessoa que passa fome julga tbm errado nós termos muito e ele nada, e assim ele toma essa atitude,e mais, educa seus filhos com essa revolta contra aqueles que possuem o que sua familia não consegue ter.Ou seja,eu roubo pra matar minha fome,mas o mesmo roubo tbm é uma forma de expressar minha revolta com as desigualdades sociais.é isso aí valeu!

  5. Lidar com perdas não é fácil, principalmente quando o objeto ou pessoa que estamos perdendo nos é muito querido. Fico tentando analisar cada uma de suas palavras na procura de um culpado, não adianta, é sempre assim, toda vez que nos deparamos com uma perda, vamos em busca dos porquês, quem, como e se…
    O mais interessante é que seu texto nos faz refletir sobre todas as possibilidades deste furto: questões sociais, ecômicas,problemas pessoais.
    Fico pensando que acrescentaria a Carol também como culpada pois afinal de contas se você nao tivesse ido na casa dela….
    Mais importante que achar sua bicicleta, penso eu, é buscar respostas para todas as questões que você trouxe. Afinal o que estamos nós fazendo ( escola, sociedade, igreja, família) para que as pessoas nao sintam a necessidade de furtar?
    Pense bem, nao estou justificanto o roubo.

Deixe uma resposta